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segunda-feira, janeiro 02, 2017

O elefante acorrentado

— Não consigo — disse-lhe. — Não consigo!
— Tens a certeza? — perguntou-me ele.
— Tenho! O que eu mais gostava era de conseguir sentar-me à frente dela e dizer-lhe o que sinto… Mas sei que não sou capaz.
O gordo sentou-se de pernas cruzadas à Buda, naqueles horríveis cadeirões azuis do seu consultório. Sorriu, fitou-me olhos nos olhos e, baixando a voz como fazia sempre que queria que o escutassem com atenção, disse-me:
— Deixa-me que te conte…
E sem esperar pela minha aprovação, o Jorge começou a contar.
Quando eu era pequeno, adorava o circo e aquilo de que mais gostava eram os animais. Cativava-me especialmente o elefante que, como vim a saber mais tarde, era também o animal preferido dos outros miúdos. Durante o espetáculo, a enorme criatura dava mostras de ter um peso, tamanho e força descomunais… Mas, depois da sua atuação e pouco antes de voltar para os bastidores, o elefante ficava sempre atado a uma pequena estaca cravada no solo, com uma corrente a agrilhoar-lhe uma das suas patas.
No entanto, a estaca não passava de um minúsculo pedaço de madeira enterrado uns centímetros no solo. E, embora a corrente fosse grossa e pesada, parecia-me óbvio que um ani­mal capaz de arrancar uma árvore pela raiz, com toda a sua força, facilmente se conseguiria libertar da estaca e fugir.
O mistério continua a parecer-me evidente.
O que é que o prende, então?
Porque é que não foge?
Quando eu tinha cinco ou seis anos, ainda acreditava na sabedoria dos mais velhos. Um dia, decidi questionar um professor, um padre e um tio sobre o mistério do elefante. Um deles explicou-me que o elefante não fugia porque era amestrado.
Fiz, então, a pergunta óbvia:
— Se é amestrado, porque é que o acorrentam?
Não me lembro de ter recebido uma resposta coerente. Com o passar do tempo, esqueci o mistério do elefante e da estaca e só o recordava quando me cruzava com outras pessoas que também já tinham feito essa pergunta.
Há uns anos, descobri que, felizmente para mim, alguém fora tão inteligente e sábio que encontrara a resposta:
O elefante do circo não foge porque esteve atado a uma estaca desde que era muito, muito pequeno.
Fechei os olhos e imaginei o indefeso elefante recém-nascido preso à estaca. Tenho a certeza de que naquela altura o elefantezinho puxou, esperneou e suou para se tentar libertar. E, apesar dos seus esforços, não conseguiu, porque aquela estaca era demasiado forte para ele.
Imaginei-o a adormecer, cansado, e a tentar novamente no dia seguinte, e no outro, e no outro… Até que, um dia, um dia terrível para a sua história, o animal aceitou a sua impotência e resignou-se com o seu destino.
Esse elefante enorme e poderoso, que vemos no circo, não foge porque, coitado, pensa que não é capaz de o fazer.
Tem gravada na memória a impotência que sentiu pouco depois de nascer.
E o pior é que nunca mais tornou a questionar seriamente essa recordação.
Jamais, jamais tentou pôr novamente à prova a sua força…
— E é assim a vida, Damião. Todos somos um pouco como o elefante do circo: seguimos pela vida fora atados a centenas de estacas que nos coartam a liberdade.
Vivemos a pensar que «não somos capazes» de fazer montes de coisas, simplesmente porque uma vez, há muito tempo, quando éramos pequenos, tentámos e não conseguimos.
Fizemos, então, o mesmo que o elefante e gravámos na nossa memória esta mensagem: «Não consigo, não consigo e nunca hei-de conseguir.»
Crescemos com esta mensagem que impusemos a nós mesmos e, por isso, nunca mais tentámos libertar-nos da estaca.
Quando, por vezes, sentimos as grilhetas e as abanamos, olhamos de relance para a estaca e pensamos:
Não consigo e nunca hei-de conseguir.
 O Jorge fez uma longa pausa. Depois, aproximou-se, sentou-se no chão à minha frente e prosseguiu:
— É isto que se passa contigo, Damião. Vives condicionado pela lembrança de um Damião que já não existe, que não foi capaz.
A única maneira de saberes se és capaz é tentando novamente, de corpo e alma… e com toda a forca do teu coração!
Autor: Jorge Bucay, Deixa-me que te conte. Os contos que me ensinaram a viver.

Bem hajam e livrem-se das vossas estacas.

Miguel Ferreira

segunda-feira, março 28, 2016

Biscoitos

Um certo dia uma jovem estava à espera do seu vôo na sala de embarque de um aeroporto. Como tinha que esperar por muitas horas, resolveu comprar um livro para passar o tempo, e também comprou um pacote de biscoitos.



Então encontrou uma poltrona numa parte reservada do aeroporto para que pudesse descansar e ler em paz e ao seu lado sentou-se um homem.


Quando ela pegou o primeiro biscoito, o homem também pegou um. Ela sentiu-se indignada mas não disse nada. Pensou para consigo mesma: "Mas que desavergonhado! Se eu estivesse noutro local, dar-lhe-ia uma bofetada para que nunca mais se esquecesse".


Para cada biscoito que ela tirava, o homem também tirava um. Aquilo deixava-a tão furiosa que não conseguia reagir. Restava apenas um biscoito e pensou ela: "O que será que o abusador vai fazer agora?"



Então o homem dividiu o biscoito ao meio, deixando a outra metade para ela.



Aquilo deixou-a irada e a bufar de raiva. Pegou no seu livro e nas suas coisas e dirigiu-se ao embarque. Quando se sentou confortavelmente no seu assento, para sua surpresa, o seu pacote de biscoitos estava ainda intacto dentro da sua bolsa.



Ela sentiu muita vergonha, pois quem estava errada era ela e já não havia mais tempo para pedir desculpas. O homem dividiu os seus biscoitos sem se sentir indignado, ao passo que isto a deixou muito transtornada.



Quantas vezes nas nossas vidas somos nós que estamos a comer os biscoitos dos outros e não temos a menor consciência de que os errados somos nós!

Bem hajam.

domingo, agosto 02, 2015

Desperta Povo

Numa altura em que a democracia demonstrou a força do povo grego (embora fica-se comprovado na não-democracia em que vivemos na Europa), será bom refletir da tremenda desumanização que a máquina materialista vai impondo a esta massacrada humanidade. É altura de despertar e lutar pela liberdade do povo, que está farto de estar preso a sistemas obsoletos que pouco ou nada lutam pelos direitos humanos. Deixo-vos aqui um texto do famoso Charlie Chaplin que embora do século passado, me parece muitíssimo atual: 

“Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Porque havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A Terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades. O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém extraviamo-nos. A cobiça envenenou a alma dos homens, levantou no mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas sentimo-nos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado na penúria. Os nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; a nossa inteligência tornou-nos empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos muito pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem estas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido. A aviação e o rádio (média) aproximou-nos. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloquente à bondade do homem, um apelo à fraternidade universal, a união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora. Milhões de desesperados: homens, mulheres, criancinhas, vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia, da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há-de retornar ao povo. Sei que os homens morrem, mas a liberdade não perecerá jamais.” 

Charles Chaplin 

Basta de crueldade. 

Bem hajam. Miguel Ferreira

domingo, janeiro 04, 2015

O Inferno e o Ceu

Mestre e discípulo foram até uma região onde havia fartura de arroz mas os habitantes daquele lugar possuíam talas em seus braços, o que os impedia de levarem o alimento à própria boca. No meio daquela fartura, passavam fome e eram fracos e subnutridos!
- Veja! - Disse o Mestre - Isto, é o inferno.
Em seguida, o Mestre guiou o Discípulo para uma região próxima e mostrou que nela também havia fartura de arroz e as pessoas também tinham os braços atados a talas mas eram saudáveis e bem nutridas pois uma levava o arroz à boca do outro, em um processo de interdependência e cooperação mútua. 
- E isto é o Céu.

quarta-feira, dezembro 31, 2014

O Observador


Um certo dia um rei chamou ao seu palácio o mestre zen Muhak - que viveu de 1317 a 1405 - e lhe disse que, para afastar o cansaço e a tensão do trabalho administrativo, queria ter uma conversa completamente informal com ele. Em seguida, o rei comentou que Muhak parecia um grande porco faminto procurando comida. 

- E você, excelência parece o Buda Sakiamuni meditando, sobre um pico elevado dos Himalaias. 
O rei ficou surpreso com a resposta de Muhak. 
- Comparei você a um porco, e você compara-me ao Buda?
- É que um porco só pode ver porco, excelência, e um Buda só pode ver Buda.

domingo, outubro 19, 2014

Os dois pássaros

Inspirado em tantas situações, na certeza que vos irá fazer pensar também em todos os vossos equívocos. Respire duas a três vezes antes de se prender a sua visão.
“Dois pássaros estavam muito felizes sobre a mesma planta. Um mais acima e outro mais abaixo. A certa altura, um disse ao outro:
- Que lindas folhas verdes!
O que estava mais abaixo, irritado, respondeu:
- Estás cego? Não vês que são brancas?
O de cima continuou:
- Tu é que estás cego. São verdes e bem verdes.
A discussão prolongou-se até ao ponto de se prepararem para lutar um contra o outro.
Quando o de cima desceu, estando no mesmo ramo e preparando-se para o duelo, ambos olharam na mesma direção.
Foi então que o que antes estava em cima e desceu, disse:
- Que estranho! Afinal as folhas são brancas!
Depois voaram os dois para o ramo de cima e disseram:

- Que estranho! Afinal as folhas são verdes!

domingo, agosto 03, 2014

Floquinhos de algodão (Dar sem esperar receber...)

Havia uma pequena aldeia onde o dinheiro não entrava.
Tudo o que as pessoas compravam, tudo o que era cultivado e produzido por cada um, era trocado.
A coisa mais importante, a coisa mais valiosa, era a amizade.
Quem nada produzia, quem não possuía coisas que pudessem ser trocadas por alimentos, ou utensílios, dava o seu CARINHO.
O CARINHO era simbolizado por um floquinho de algodão.
Muitas vezes, era normal que as pessoas trocassem floquinhos sem querer nada em troca.
As pessoas davam o seu CARINHO pois sabiam que receberiam outros noutro momento ou noutro dia.
Um dia, uma mulher muito má, que vivia fora da aldeia, convenceu um pequeno garoto a não dar mais os seus floquinhos. Dessa forma, ele seria a pessoa mais rica da aldeia e teria o que quisesse. Iludido pelas palavras da malvada, o menino, que era uma das pessoas mais populares e queridas da aldeia, passou a juntar CARINHOS e em pouquíssimo tempo a sua casa estava repleta de floquinhos, ficando até difícil de movimentar-se dentro dela.
Daí então, quando a cidade já estava praticamente sem floquinhos, as pessoas começaram a guardar o pouco CARINHO que tinham e toda a HARMONIA da cidade desapareceu.
Surgiram a GANÂNCIA, a DESCONFIANÇA, o primeiro ROUBO, o ÓDIO, a DISCÓRDIA, as pessoas se OFENDERAM pela primeira vez e passaram a IGNORAR-SE pelas ruas.
Como era o mais querido da cidade, o garoto foi o primeiro a sentir-se TRISTE e SOZINHO, o que o fez procurar a velha para lhe perguntar se aquilo fazia parte da riqueza que ele acumularia.
Como não a encontrou mais, tomou uma decisão: pegou num carrinho de mão, onde colocou todos os seus floquinhos e foi por toda a cidade distribuindo aleatoriamente o seu CARINHO.
A todos a quem dava CARINHO, apenas dizia: "Obrigado por receber o meu carinho". Assim, sem medo de acabar com os seus floquinhos, distribuiu até o último CARINHO sem receber um só de volta.
Sem que tivesse tempo de se sentir sozinho e triste novamente, alguém caminhou até ele e deu-lhe CARINHO.

Um outro fez o mesmo...Mais outro...e outro...até que definitivamente a aldeia voltou ao normal. 

sexta-feira, março 28, 2014

Estratégias & Resultados

Acerca deste tema, gosto muito da história que vos deixo:
Havia um cego que passava o seu dia sentado na calçada a pedir esmola, com um boné aos seus pés e um pedaço de madeira escrito com giz branco: "Por favor, ajude-me, sou cego".
Um dia um publicitário da área de criação passou na calçada, parou e viu o cego sentado com umas poucas moedas no boné.
Sem pedir licença, pegou no cartaz, virou-o, pegou o giz e escreveu outro anúncio.
Voltou a colocar o pedaço de madeira aos pés do cego e foi embora.
Pela tarde o publicitário voltou a passar na calçada onde o cego que pedia esmola.
Agora, o seu boné estava cheio de notas e moedas.
O cego reconheceu os passos e perguntou-lhe se tinha sido ele quem reescreveu o seu cartaz, sobretudo querendo saber o que tinha escrito.
O publicitário respondeu:
"Nada que não esteja de acordo com o seu anúncio, mas com outras palavras".
Sorriu e continuou o seu caminho.
O cego nunca soube, mas seu novo cartaz dizia:
"Hoje é Primavera, e não posso vê-la".
Mudemos a estratégia quando não nos acontece alguma coisa...
Mensagem: "Se é verdade que nada é perfeito, também é verdade que tudo pode ser melhorado."

Bem hajam e boas estratégias.

sexta-feira, agosto 02, 2013

O Judeu e a Vaca

Todos os dias, da manhã até o cair da noite, Jacob Simen não fazia outra coisa senão maldizer a sorte ingrata. Blasfemava contra o destino que o forçava a viver naquela insuportável e torturante penúria. A casa em que morava era pequena, incómoda e sem conforto: não dispunha senão de dois quartos para os pequenos e de uma sala minúscula com duas janelas, onde mal podia receber, nos dias de festa, meia dúzia de amigos e vizinhos.
A paciente Sorele não concordava com as queixas e revoltas do marido. A vida para eles não era, por certo, invejável. Lá isso não era! Podia, porém, ser pior, muito pior...
- "Pior do que isso, mulher, nunca"!, clamava Jacob, arrepelando-se, irritado.
- "Repara na apertura e no desconforto em que vivemos! Não cabemos nesta casa e não vejo como nem quando será possível arranjar outra melhor".
Um dia, afinal, a cidade foi visitada por um sábio famoso que o povo apelidara Baal Schem.
Sorele sugeriu, cheia de confiança, ao esposo:
- "Por que não vais ouvir o velho Baal Schem? Dizem que ele tem feito espantosos milagres. Possivelmente poderá auxiliar-nos".
Tal lembrança parecia traduzir uma providência fácil, acertada e feliz. Nesse mesmo dia, Jacob Simon foi ter à presença do santo rabi e desafiou o rosário interminável das suas queixas e misérias: que vivia num casebre triste e miserável e seu maior sonho era possuir uma casa ampla e espaçosa.
- "Meu filho", ponderou o sábio, cheio de paciência e bondade, "posso, realmente, com a valiosa proteção dos guias invisíveis, realizar prodigioso milagre em teu benefício. Serei capaz de transformar a tua casa, pobre e acanhada, num lugar amplo, claro e confortável. Para tanto torna-se indispensável que pronuncies, agora mesmo, um juramento: vais ter que jurar, pelo nome sagrado de Moisés, e pela memória de todos os profetas, que seguirás fielmente todas as minhas determinações".
- "Juro"!, declarou Jacob com voz firme e inabalável sinceridade.
- "Muito bem. Agora uma pergunta: Tens uma vaca, não é verdade"?
- "Sim, com efeito. Tenho uma vaca".
- "Leva, então, hoje mesmo, a vaca pra dentro da tua casa"!
- "A vaca para dentro de casa"!?
- "Senhor! Na casa em que moro mal cabem os meus filhos. Onde colocarei a vaca"?
- "Lembra-te, amigo, de teu juramento! Põe a vaca dentro de casa".
Não houve remédio. Era preciso obedecer cegamente ao milagroso conselheiro. Aquela vaca, sob o teto de seu lar representava uma tortura constante. O monstruoso animal quebrava, destruía e sujava tudo. Para que os vizinhos não envolvessem o caso com os impiedosos comentários ditados pelo ridículo, a delicada Solere conservava as janelas e portas cuidadosamente fechadas durante o dia.
Decorridos três dias, voltou Jacob, a alma vencida pelo desespero, à presença do Baal Schem.
Era preciso pôr termo, o mais depressa possível, àquela situação torturante!
- "Tens uma cabra"? indagou o sacerdote, à meia voz.
- "Sim".
- "Leva também a cabra para dentro de tua casa"! ordenou, sem hesitar, o prudente rabi.
A nova determinação do milagroso guia deixou Jacob sucumbido pelo desalento. A vaca, por si só, tornava a vida, dentro da casa, insuportável. A cabra e a vaca, juntas seriam uma calamidade! Que horror!
Antes de terminar a primeira semana, Jacob receando que o desespero o levasse à loucura, voltou a implorar o auxílio do santo e virtuoso conselheiro. Sentia-se esgotado; na sua casa não havia mais sossego; as crianças sofriam. Ele preferia morrer a continuar a viver daquela maneira miserável e anti-humana.
Disse, então, o santo milagroso:
- "Retira, então hoje a cabra. Amanhã, logo que o sol nascer, farás a mesma coisa com a vaca. Procederás, a seguir, a uma cuidadosa limpeza em tua casa, arrumando os móveis como se achavam. Ao cair da tarde irei visitar-te para ver realizado o milagre"!
No dia seguinte, o sábio encontrou o judeu risonho e satisfeito. Sentia-se perfeitamente feliz em companhia da meiga Solere e de seus quatro filhos.
- "Que tal"?, indagou Baal Schem.
- "Eis a verdade, ó Rabi! Livre da vaca e livre também da cabra, a nossa casa é uma delícia! Sinto-me bem dentro dela. Já podemos respirar e viver! Há até lugar de sobra para as crianças"!
Estava feito o prodigioso milagre.
Baal Schem transformara, numa casa ampla e confortável, o mísero casebre do judeu!


Bem hajam.

terça-feira, julho 30, 2013

Mestre lenhador

Um dos desportos tradicionais do Alasca é o corte de árvores. Há lenhadores famosos com um grande domínio, habilidade e energia no uso do machado. Um jovem que queria tornar-se também num grande lenhador, ouviu falar do melhor dos lenhadores do país e decidiu ir ao seu encontro.
Quero ser seu discípulo. Quero aprender a cortar árvores como você.
O jovem aplicou-se a aprender as lições do mestre. Depois de algum tempo, acreditou que o tinha superado. Sentia-se mais forte, mais ágil, mais jovem, estava seguro de vencer facilmente o velho lenhador. Assim desafiou o seu mestre a competir oito horas, para saber qual dos dois poderia cortar mais árvores.
O mestre aceitou o desafio, o jovem lenhador começou a cortar árvores com entusiasmo e vigor. Entre uma árvore e outra olhava o seu mestre, mas a maior parte das vezes encontrava-o sentado. O jovem voltava então as suas árvores. Seguro de vencer e sentindo pena pelo seu velho mestre.
Ao cair do dia e para grande surpresa do jovem, o velho mestre tinha cortado muito mais árvores que ele.
— Como era possível? — Surpreendendo-se — Quase todas as vezes que o observei, você estava a descansar! (…)
— Não, meu filho, eu não descansava. Estava a afiar o meu machado. Essa é a razão por teres perdido.
O tempo empregue a afiar o machado é valiosamente recompensado.
O reforço no processo de aprendizagem, que dura toda a vida, é como afiar o machado.

Continue a afiar o seu nesse sítio!


Bem hajam.

quarta-feira, maio 08, 2013

Talento


Um jovem procurou o seu professor porque se sentia um inútil. Achava-se lerdo, não conseguia fazer nada bem
feito. Desejava saber como é que poderia melhorar e o que devia fazer para que o valorizassem.
O professor, sem olha-lo, disse: sinto muito, mas antes de resolver o seu problema preciso de resolver o meu próprio. Talvez me possas ajudar. Tirou um pequeno anel do dedo e deu ao rapaz recomendando: Vai até o mercado. Preciso vender este anel pois tenho que pagar uma dívida. Mas não aceite menos do que uma moeda de ouro. O rapaz pegou o anel e foi oferecê-lo aos mercadores. Eles olhavam o anel com certo desprezo e ofereciam menos do que o recomendado. Quando o rapaz dizia o que queria pelo anel então, aí é que o motivo de gozo aumentava. O rapaz volta ao professor e relata o acontecido, dizendo que o máximo que lhe tinham oferecido pelo anel eram 3 moedas de prata.
O professor então, pede para que agora, o rapaz vá até a um relojoeiro famoso da região, mas repete o aviso: Não o venda por menos de 1 moeda de ouro. O rapaz desacreditado da venda chegou ao relojoeiro que oferece pelo anel 58 moedas de ouro. O discípulo recusou a oferta e voltou a correr para dar a boa notícia ao professor. Depois de ouvi-lo o professor falou: Sente-se meu rapaz. Tu és como este anel. Uma jóia valiosa só pode ser avaliada por quem entende do assunto. Tomando o anel do rapaz colocou-o novamente no seu dedo e finalizou: todos somos como esta jóia: muito valiosos! No entanto, andamos por todos os mercados da vida pretendendo que outras  pessoas  nos valorizem.

Bem hajam e dêem-se valor.

quinta-feira, março 07, 2013

Necessidades Humanas Essenciais

A grande motivação do ser humano é a busca do prazer e a fuga da dor e do sofrimento. Nós fazemos qualquer coisa para evitar dor e obter prazer. Além disso, nós, seres humanos, temos algumas necessidades básicas e essenciais. Anthony Robbins, coach, comunicador e escritor americano, identifica seis necessidades humanas essenciais:

1ª. - Necessidade de certeza e conforto; 
2ª. - Necessidade de incerteza e variedade; 
3ª. - Necessidade de amor e conexão; 
4ª. - Necessidade de significância e importância; 
5ª. - Necessidade de crescimento; 
6ª. - Necessidade de contribuição.

As quatro primeiras são fundamentais e a realização das duas últimas só é possível após a satisfação das primeiras.
Tudo que nós, seres humanos, fazemos, de alguma maneira, é procurar satisfazer uma ou mais dessas seis necessidades essenciais. Elas são os nossos meta-objectivos, isto é, os objectivos dos objectivos.
Cada um de nós tem a sua própria maneira de satisfazer essas necessidades. Podemos denominar as maneiras de realização das necessidades de veículos. Alguns veículos são construtivos, alguns neutros e, outros, destrutivos. Por exemplo, a doença pode ser usada como veículo para obter amor e conexão e isso pode dificultar a cura devido a esse ganho secundário da doença. O dinheiro, frequentemente, é utilizado como veículo para satisfazer a necessidade de significância. Álcool e drogas, inúmeras vezes, são veículos destrutivos para tentar satisfazer a necessidade de variedade e incerteza.
Uma coisa importante a lembrar, é que escolhemos os nossos veículos e não são eles que nos escolhem. A verdadeira realização e felicidade humana, depende muito da satisfação destas seis necessidades essenciais.
Certeza e conforto: A necessidade de certeza e conforto está relacionada à habilidade de evitar a dor e obter prazer, levando à segurança e à sobrevivência. Os potenciais veículos para satisfazer esta necessidade essencial são: comida, controle, consistência, identidade, fé.
Incerteza e variedade: O ser humano tem necessidade de um certo grau de surpresa, variedade, desafio, diferença e novidade na vida. Sem isso, a vida fica monótona, sem tempero e sem motivação. Quando encaramos a incerteza e o desconhecido expandimos a nossa vida. Potenciais veículos usados para satisfazer esta necessidade são: enfrentar desafios, novos relacionamentos, novos empregos, viagens, aventuras, estudar algo novo, mudanças, uso de álcool e drogas etc.
Significância: A necessidade de ser importante, de ser reconhecido, original, diferente. Os veículos para satisfazer esta necessidade são muito variados. O dinheiro, o poder e a fama são maneiras claras de alcançar significância na nossa sociedade. Mas também ter o maior problema, ser o mais humilde pode dar significância. Ter um filho é uma boa maneira de obter significância, pois os filhos, pelo menos na infância, valorizam os pais.
Conexão e Amor: Tudo o que nós queremos na vida é amor. Esta é uma necessidade básica do ser humano. Uma criança que não receba um mínimo de amor não sobrevive. (Experiência do rei da Prússia que proibiu as enfermeiras de darem afecto a crianças e nenhuma sobreviveu). São vários os veículos para a satisfação desta necessidade. Eles vão desde o uso da doença para ganhar conexão e atenção amorosa, o que dificulta a recuperação e cura devida a esse ganho secundário, até o amor incondicional dos pais para os filhos.
Crescimento: Todos nós temos a necessidade de crescer na vida, aprender, mudar, expandir e melhorar.
Contribuição: É a necessidade de dar, ajudar, servir e fazer uma diferença na vida dos outros. Quando ajudamos os outros a realizarem-se, nós nos realizamos. Uma boa fórmula de felicidade é sempre dar aos outros o que queremos receber.
Precisamos escolher a maneira mais harmoniosa de satisfazer as nossas necessidades essenciais. Podemos satisfazer qualquer uma ou todas estas seis necessidades, mudando a nossa PERCEPÇÃO (crença ou apreciação) ou por algum PROCEDIMENTO (veículo ou maneira). Então, o segredo para satisfazer as nossas necessidades é mudar as nossas percepções ou nossas acções.

Boas realizações. Bem hajam.
Miguel Ferreira

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Ouvir Mozart torna-o mais inteligente


O compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart como génio compositor da música clássica, foi alvo duma teoria que nasceu na década de 1990 e que levou a acreditar que tocar peças do músico para crianças melhoraria o desenvolvimento do seu cérebro, tornando-as mais inteligentes.
Muitas vezes, os mitos são criados com base em factos reais, contudo este em particular teve origem num estudo publicado pela revista científica Nature em 1993. A pesquisa descreveu uma experiência aplicada em estudantes duma universidade na Califórnia na realizaram duma série de tarefas. Os voluntários que ouviram atentamente uma peça de Mozart antes de fazer os testes saíram-se um pouco melhor do que os que ouviram músicas para relaxamento ou não ouviram nada.
O efeito positivo da sonata de Mozart sobre o desempenho dos estudantes desapareceu após cerca de 15 minutos. 
Dois anos mais tarde, os mass-média tinham transformado as observações do estudo numa teoria segundo a qual tocar Mozart para crianças jovens melhorava a sua inteligência.
As editoras começaram a vender CDs do génio austríaco a famílias com crianças. Em 1998, nos Estados Unidos, o Estado da Geórgia distribuiu CDs de Mozart para mães com bebés recém-nascidos.
Muitos outros estudos, criaram teorias de que as estruturas musicais das composições de Mozart exerciam uma influência biológica sobre as conexões nervosas do cérebro e em estudos posteriores, a verdade acabou por se mostrar bem mais prosaica, concluído os especialistas que qualquer música estimulante tocada antes duma série de exercícios mentais ajuda-nos a criar um estado de alerta e entusiasmado, e logo uma melhoria no desempenho.
O estado de alerta e concentração é uma habilidade como qualquer uma e a frequência da música clássica ou new age, é sem dúvida uma boa maneira de activa essa habilidade.
Bem hajam e boas audições.

sábado, fevereiro 02, 2013

O Poder da Educação


Conta-se que o legislador grego Licurgo, que viveu no século IV antes de Cristo, foi convidado a proferir uma palestra a respeito de educação. Aceitou o convite, no entanto pediu o prazo de seis meses para se preparar. O facto causou estranheza, pois todos sabiam que ele tinha capacidades e condições de falar a qualquer momento sobre o tema, e por isso o tinham convidado.
Transcorridos os seis meses, compareceu perante a assembleia em expectativa. Postou-se à tribuna e logo de seguida entraram dois criados, cada qual levando duas gaiolas. Em cada uma havia um animal, sendo duas lebres e dois cães. A um sinal previamente estabelecido, um dos criados abriu a porta duma das gaiolas e a pequena lebre, branca, saiu a correr, espantada. Logo de seguida o outro criado abriu a gaiola em que estava o cão e este saiu em desabalada correria ao encalço da lebre. Alcançou-a com destreza, trucidando-a rapidamente.
A cena foi dantesca e chocou a todos. Uma grande admiração tomou conta da assembleia e os corações pareciam saltar do peito. Ninguém conseguia entender o que Licurgo desejava com tal agressão. Mesmo assim, este nada disse. Tornou a repetir o sinal convencionado e a outra lebre foi libertada. A seguir, o outro cão.
As pessoas ali presentes mal continham a respiração. Alguns, mais sensíveis, levaram as mãos aos olhos para não ver a reprise da morte bárbara do indefeso animalzinho que corria e saltava pelo palco. No primeiro instante, o cão investiu contra a lebre. Contudo, em vez de abocanhá-la, bateu-lhe com a pata e ela caiu. Logo a lebre ergueu-se e pôs-se a brincar com o cão. Para surpresa de todos, os dois ficaram a demonstrar tranquila convivência, saltitando de um lado a outro no palco.
Então, e somente então, Licurgo falou: - Senhores, acabaram de assistir a uma demonstração do que pode a educação.
Ambas as lebres são filhas da mesma matriz, foram alimentadas igualmente e receberam os mesmos cuidados. Assim, igualmente, os cães. A diferença entre os primeiros e os segundos é, simplesmente, a educação.
E prosseguiu vivamente o seu discurso, dizendo das excelências do processo educativo: - A educação, baseada numa concepção exata da vida, transformaria a face do mundo.
Eduquemos os nossos filhos, esclareçamos a sua inteligência, mas, antes de tudo, falemos aos seus corações, ensinemos a despojarem-se das suas imperfeições. Lembremo-nos de que a sabedoria por excelência consiste em tornarmo-nos melhores.
O verbo educar é originário do latim "educare" (ou "educcere"), e quer dizer "extrair", "tirar fora".
Percebe-se, portanto, que a educação não se constitui num mero estabelecimento de informações, mas sim, em se trabalhar as potencialidades interiores do ser, para que floresçam.

Para todos os pais, um bom florescimento.
Bem hajam.

Miguel Ferreira

sexta-feira, janeiro 11, 2013

Qualidade de Vida: Fluir no Tempo

“Ahhh.... como seria bom se o dia tivesse 30 horas” ... “Estou sem tempo”....”vivo a correr” ... “não vai dar tempo”... “tenho menos tempo hoje do que a uns tempo atrás”...e tantas outras frases que pronunciamos ou ouvimos dizer. Gerir o tempo tornou-se uma das tarefas mais imprescindíveis e difíceis nos tempos atuais, sendo uma das competência fundamental ainda não trabalhada de forma eficiente pela maioria dos profissionais no dia-a-dia. Gerir o próprio tempo tornou-se de tal forma um desafio, tal como aprender qualquer outra competência técnica e muitas vezes mais difícil. Administrar o tempo tem duas funções básicas: procura de eficácia no trabalho e melhorar a qualidade de vida. Este tema tem sido essencial na medida que cada vez mais existem pressões provindas de todos os lados para que as ações aconteçam e as atividades sejam realizadas de forma otimizada, assim como as mudanças na maneira de trabalhar e os imprevistos, que sendo cada vez mais frequentes provocam a necessidade de termos 30 horas no dia para que possamos resolver tudo o que necessitamos. Estas exigências geralmente tornam o nosso dia curto e cansativo, com elavado stresse, os nervos a flor da pele e a vontade de fugir, viajar, ou muitas vezes enfiar-se num buraco e ficar lá...quietinho, sem ninguém a incomodá-lo. Além de aprender a gerir melhor o nosso próprio tempo, temos de aprender a gerir o tempo alheio que tanto nos influencia. Gerir o tempo passa por alguns algumas habilidades fáceis de entender, mas de relativa dificuldade de aplicação. Ficam aqui três dias fundamentais: Procurar objetividade Saber chegar à raiz do que é importante, evitar sobrecargas desnecessárias ou perder-se em detalhes que não agregam valor. Definir prioridades Esta é talvez a habilidade mais difícil e também a mais importante para conseguir otimizar o tempo. Temos uma limitação natural de tempo (24 horas ao dia e 8 de trabalho) e uma quantidade de tarefas a desempenhar durante este tempo. Com a rotina acabamos por não exercitar a habilidade de filtrar o que é importante, aquilo que realmente é importante. Trabalhar prioridades significa filtrar, selecionar e definir os elementos que são imprescindíveis naquele dia ou naquela semana, ou seja, termos bem claro qual será a nossa prioridade ou prioridades, ter foco, direção. Delegar Dividir o fardo, contar com a ajuda das outras pessoas, evitando centralizar todas as decisões. Quem não consegue delegar acaba por carregar um peso excessivo e chega um ponto em que o trabalho simplesmente deixa de ser produtivo, surgindo o cansaço, desânimo e o stresse elevado que acaba por ser o fator principal de grande parta dos problemas e doenças psicossomáticas. Será pois importante, aprenda a dizer não e a delegar pedindo ajuda as pessoas que o rodeiam. Não assuma mais do que pode fazer, é preferível fazer menos mas com mais qualidade do que tentar abraçar o mundo e não conseguir o resultado desejado. Nunca prometa o que não pode cumprir, pois a força desse compromisso irá causar desgaste e sobrecarga. Cuide do seu estado mental e físico, desanuviando a sua cabeça com atitidades livres, relaxamento, meditação ou oração; descanse e faça exercício físico. A caminhada livre, sem competição e uma boa companhia, podem fazer milagres. Perceba que quando a sua mente esta mais tranqüila e seu corpo mais relaxado as tarefas fluem melhor. Permita-se a ter momentos de tranquilidade e descanso periodicamente. Gastamos cerca de 70 a 80% do nosso tempo com funções que não agregam valor de forma substancial à nossa vida, a resolver problemas menores perdendo de vista o que realmente é importante. Por fim, gerir o tempo deve considerar diversos outros pontos que devem ser considerados em relação a realidade de cada um. O ponto central é: desenvolva meios de ter uma melhor qualidade de vida. Afinal, a quem diga que vivemos apenas uma vez, assim sendo, procure viver o melhor que puder, mesmo que acredite que vivemos várias vidas. Bom trabalho e disfrute do tempo.

domingo, maio 20, 2012

Ansiedade e Insegurança

As pessoas inseguras geralmente possuem uma visão idealizada do que é ser autoconfiante. Muitas imaginam que as pessoas confiantes não têm medo de nada e estão dispostas a enfrentar tudo com o peito e a coragem, e jamais sentem a mínima insegurança. Essa idealização torna o autoconceito da pessoa insegura ainda mais crítico, pois ao comparar-se a essa noção duma pessoa superconfiante, sente-se ainda mais insegura e inadequada. Esta idealização, contudo, é extremamente ilusória. A autoconfiança completa é um mito e, quando real, caracteriza um quadro de arrogância ou mesmo de distúrbio mental – o “louco” pode ter uma autoconfiança extrema pelo simples facto de que não tem noção da realidade! Qualquer pessoa “normal” sente insegurança, em diversos níveis e em diversas situações na vida. A diferença essencial é que a pessoa que costuma ser mais autoconfiante do que insegura pode até ter receios e duvidar da própria capacidade ou competência, mas tende a ser mais optimista e, no geral, não faz grande caso disso. A pessoa que costuma ser mais insegura, por outro lado, faz grande caso de pequenas coisas e detalhes, como se a sua vida dependesse de resultados que são, na realidade, insignificantes ou pelo menos não tão importantes para justificar o stresse. Toda esta preocupação gera ansiedade. A ansiedade é o exagero emocional gerado pela percepção incorreta do que está a ser enfrentado, ou seja, a pessoa faz uma grande tempestade num copo d’água, dando um peso demasiado grande para eventos que não deveriam ser valorizados dessa forma. Um dos exemplos mais comuns é o medo de falar em público. Várias pesquisas comprovaram que as pessoas têm mais medo de falar em público do que da própria morte! Contudo falar em público não mata, nem nos tira nenhum pedaço. A ansiedade gerada por este tipo de situação, no entanto, mostra quão valorizada é a ideia de se expor publicamente. Esta valorização extrema faz com que a pessoa acredite que precisa de ter um desempenho perfeito e é esta cobrança excessiva que gera a ansiedade neste caso. A pessoa autoconfiante, pelo contrário, não dá muito valor para o facto de se estar a expor em público e, apesar de poder passar por momentos de insegurança ou receios com relação à própria performance, é o peso que se dá à situação que define quão ansiosa se irá sentir. Ao não atribuir um valor muito grande, a pessoa sente-se mais tranquila e esta postura confere-lhe maior segurança ao passar pela experiência. A insegurança e a ansiedade acabam por andar juntas e uma reforça a outra. Quanto maior for a “tempestade” feita com a ideia de passar por uma determinada situação, maior a ansiedade e, consequentemente, maior o nível de insegurança. Neste caso, a baixa auto-estima o pessimismo e a desconfiança quanto à própria capacidade, são as características que nutrem a insegurança, que por sua vez, alimentam ainda mais a ansiedade. A ansiedade, em primeiro lugar, é uma questão de “opinião”. O que pensa sobre um determinado assunto define como irá sentir em relação a ele. Quanto mais dramatiza negativamente, ou seja, quanto mais valor dá a uma situação, mais ansiedade irá sentir. É muito importante não encarar aqui esta ansiedade como uma desordem emocional avançada ou uma doença (pois, não nos estamos a referir a casos clínicos, como o síndrome do pânico ou distúrbio bipolar, mas, sim, a ansiedade comum). A ansiedade não pode ser comparada a uma gripe que se “apanha” de repente, uma vez que se desenvolve na mente e depende dos seus conceitos e das suas opiniões para se fortalecer ou enfraquecer na vida. Assim, também a insegurança segue o mesmo caminho. O pessimismo, a baixa auto-estima e a dúvida quanto à sua própria capacidade são coisas que nascem no nível das ideias e, assim como a ansiedade, não é uma doença que “se apanha” acidentalmente e, portanto, deve ser solucionada ao mesmo nível em que é criada. As soluções mais práticas e eficazes para a ansiedade e insegurança são revisar os próprios conceitos pessoais que geram o medo causador das sensações de inadequação e desconfiança e expor-se o máximo possível, forçando-se a passar por experiências – quanto mais, melhor, até que se gerem novas convicções sobre um mesmo desafio. Grande parte da ansiedade e insegurança está ligada à falta de experiência. As pessoas que superaram o medo de falar em público referem sempre que o segredo é simplesmente expor-se o máximo possível e aproveitar toda e qualquer oportunidade para falar até que a se perceba, através da experiência pessoal, que não há nada de mais em expor-se frente a uma plateia – ou seja, a aprendizagem ocorre justamente quando o valor excessivo é retirado da situação. A pessoa que tem medo de falar em público e, com isso, desencadeia ansiedade e insegurança acha que isso é uma “grande coisa” e começa a formar um filme negativo enorme dentro da sua cabeça; ao passo que a pessoa que vai passando por esse tipo de experiências começa a reduzir o valor dado a essa actividade e começa a percebê-la como uma coisa normal, rotineira – logo, não alimenta toda a preocupação ansiosa ou de dúvidas em relação à sua própria capacidade. Ou seja, quando a experiência se torna comum, ai é desmascarada e essa ilusão cai por terra, tornando-se ridículo todo o medo anterior. É como acender a luz num quarto escuro, quando se consegue ver todos os detalhes da realidade, de repente deixa de parece tão assustadora! Despojar-se desta forma e predispor-se a passar por experiências com o objectivo de extinguir a insegurança e a ansiedade geradas pela ideia de passar por elas acaba por ter um efeito glorioso, começando a não necessitar de repetir o mesmo processo com tudo o que anteriormente gerava ansiedade e insegurança. Desta forma aprende e torna-se um “craque” a dominar as suas emoções sempre que surge uma nova situação. Aprendemos muito por generalizações, e até pode não ter muita experiência com uma determinada situação específica, mas tem a experiência de enfrentar os seus fantasmas e isso começa a dar-lhe um forte senso de autoconfiança. Mesmo sendo realista e tendo a noção de que poderá não ser o melhor ou que até pode cometer algum deslize, a ansiedade já lá não está. Desta forma e através deste tipo de atitude – enfrentando os seus receios, você será capaz de dar “conta do recado” sem se alterar emocionalmente – isto é a verdadeira autoconfiança! 

Força e bons desafios. Miguel Ferreira

domingo, abril 01, 2012

NASCIMENTO DA EXCELÊNCIA: A CRENÇA


"O homem é o que ele acredita."
                                                                       Anton Tchecóv

No seu maravilhoso livro, Anatomy of an Illness, Norman Cousins conta uma instrutiva história sobre Pablo Casals, um dos maiores músicos do século vinte. É uma história de crença e renovação, e que todos nós podemos aprender com ela.
Cousins descreve o encontro com Casals, um pouco antes do nonagésimo aniversário do grande violoncelista. Diz ele que era doloroso olhar o velho homem quando começava o seu dia. A sua fragilidade e artrite eram tão debilitadoras que precisava de ajuda para se vestir. O Seu enfisema era evidente na difícil respiração, andando com um arrastar de pés, curvado, cabeça inclinada para a frente. As suas mãos eram inchadas, os seus dedos apertados. Parecia um homem muito velho, velho e cansado.
Antes mesmo de comer, foi até o piano, um dos vários instrumentos em que Casals se tornara perito. Com grande habilidade, ajustou-se na banqueta. Parecia para ele um terrível esforço levar os seus dedos inchados e cerrados até o teclado.
E, então, algo de muito milagroso ocorreu. De repente, Casals transformou-se completamente ante os olhos de Cousins. Entrou num estado cheio de recursos e, conforme o fez, a sua fisiologia mudou a tal ponto que começou a mover-se, e a tocar, produzindo no seu corpo e no piano resultados que só teriam sido possíveis num pianista saudável, forte e flexível. Como Cousins descreveu, os seus dedos abriram-se lentamente e acharam as teclas como os brotos de uma planta em direcção à luz do sol e ai as suas costas endireitaram-se.
Parecia respirar com mais facilidade". O simples pensamento de tocar piano mudava todo o seu estado, e assim a eficiência do seu corpo. Casals começou com uma peça do Cravo Bem Temperado, de Bach, com grande sensibilidade e controle. Atirou-se, então, ao concerto de Brahms, e os seus dedos pareciam correr sobre o teclado. "O seu corpo inteiro parecia fundido com a música", escreveu Cousins.
"Deixava de estar rijo e encolhido, ficando mais ágil, gracioso e completamente livre das suas torceduras artríticas." Quando se afastou do piano, parecia uma pessoa bem diferente da que se sentara para tocar.
Levantou-se erecto e mais alto e andou sem sinal de arrastar os pés.
Logo se dirigiu para a mesa do café, comeu com satisfação, e então saiu para dar um passeio pela praia.
Pensamos sempre em crenças no sentido de credos ou doutrinas e muitas crenças são isso mesmo. Contudo, no sentido básico, uma crença é qualquer princípio orientador, máxima, fé ou paixão que pode proporcionar significado e direcção na vida. Estímulos ilimitados estão disponíveis para nós. Crenças são os filtros pré-arranjados e organizados para as nossas percepções do mundo. São como comandos do cérebro. Quando acreditamos com convicção que alguma coisa é verdade, é como se mandássemos um comando para o nosso cérebro, de como representar o que está a ocorrer.
Casals acreditava na música e na arte. Foi o que deu beleza, ordem e nobreza à sua vida, e é o que poderia ainda proporcionar-lhe milagres diários. Por acreditar no poder transcendente da sua arte, ele estava fortalecido de uma forma que quase desafiava o entendimento. As suas crenças transformavam-no, diariamente, de um velho homem cansado num génio de vida. No sentido mais profundo, as suas crenças mantinham-no vivo.
Certa vez, John Stuart Mill escreveu: "Uma pessoa com uma crença é igual à força de noventa e nove que só têm interesses".
É por isso que as crenças abrem a porta para a excelência. A crença envia um comando directo para o seu sistema nervoso. Quando acredita que alguma coisa é verdade, você entra mesmo no estado de que aquilo deve ser verdade.
Tratadas desta maneira, as crenças podem ser as mais poderosas forças para criar o bem na sua vida.
Por outro lado, as crenças que limitam as suas acções e pensamentos podem ser tão devastadoras como as crenças cheias de recursos podem ser fortalecedoras. Através da história, as religiões têm fortalecido milhões de pessoas dando-lhes força para fazerem coisas que pensavam que não podiam. As crenças ajudam-nos a liberar os mais ricos recursos que estão bem dentro de nós, criando-os e dirigindo-os para apoiarem os nossos resultados desejados.

As crenças são os compassos e os mapas que nos guiam na direcção das nossas metas e nos dão a certeza de saber que lá chegaremos. Sem crenças ou a capacidade de entrar nelas, as pessoas podem ser totalmente enfraquecidas. São como um barco a motor sem o motor ou leme. Com crenças orientadoras fortes, você tem o poder de tomar medidas e criar o mundo no qual quer viver. As crenças ajudam-no a ver o que quer e energizam-no para obtê-lo.
De facto, não há força directora mais poderosa no comportamento humano do que a crença. Em essência, a história humana é a história da crença humana.
As pessoas que mudaram a história - Cristo, Maomé, Copérnico, Colombo, Edison ou Einstein - foram as que mudaram as nossas crenças.
Para mudar os nossos próprios comportamentos temos de começar a alterar as nossas próprias crenças. Se quisermos modelar excelência, precisamos aprender a modelar as crenças daqueles que alcançaram excelência.

Escolha as crenças em que quer acreditar e realize de forma mais fácil os seus objectivos.
Bem hajam.

Miguel Ferreira