domingo, outubro 10, 2010

Solidão (Reenquadrada)

Solidão não é a falta de gente para conversar,
namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às
vezes, para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe
compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma....

Francisco Buarque de Holanda

terça-feira, outubro 05, 2010

CRENÇAS LIMITADORAS – OS TRAVÕES DA REALIZAÇÃO


“O número de pessoas que falham é directamente proporcional ao número de pessoas que desistem” (Joseph McClendon). Existe uma diferença entre desejar e acreditar que se pode fazer e obter algo. As pessoas que fazem acontecer, possuem um segredo fundamental: romper com as suas convicções limitadoras e, com isto, acreditar que podem conquistar tudo aquilo que planearam. Todos nós conhecemos a palavra “Microsoft” e Bill Gates, co-fundador dessa companhia, não foi apenas uma pessoa que teve sorte na vida, não foi apenas um génio, acima de tudo, possui-a uma capacidade extraordinária: a curiosidade, que lhe permitiu criar uma das maiores companhias do mundo, enquanto naquela altura não se acreditava no futuro dos microcomputadores, exemplo disto, foram as palavras do presidente da Digital Equipment Corporation em 1977: “Não há qualquer razão para as pessoas terem um computador em casa”, Bill Gates quebrou todas essas convicções, desenvolvendo o software que mudou a forma de actuação da vida humana, e consequentemente, aos trinta anos de idade tornou-se bilionário. Quanto mais entendemos o comportamento humano, mais compreendemos o extraordinário poder que as convicções têm nas nossas vidas. O sucesso não é uma questão de estar apenas melhor preparado, mas sim de ultrapassar aquelas convicções que nos dizem o que é possível e o que não é possível ser feito. Quantas pessoas mais preparadas que Bill Gates existiam na época? Quantas pessoas poderiam ter realizado o mesmo feito e não conseguiram ultrapassar as suas convicções e obter grandes resultados?
Acredito que nascemos destemidos para conquistar grandes realizações, e o nosso sucesso está nas nossas mãos, e o que quisermos fazer com as nossas vidas só dependente de nós, construindo a qualidade de vida que tanto sonhamos. A diferença entre os fracassados e as pessoas de sucesso está directamente relacionada com as convicções internas sobre o que podem e o que não podem ter ou fazer. O grande sucesso na vida ocorre quando aceitamos que somos seres com potencialidades extraordinárias e com todos os recursos necessários para fazer da nossa vida a experiência mais bela do planeta.
Uma das maravilhas do trabalho que tenho efectuado no âmbito trabalho com de “coaching ou terapia com PNL”, prende-se com a oportunidade de conviver com diferentes tipos de pessoas, nas mais diferentes condições culturais, sociais e financeiras. Neste aspecto, o que sobressai é que as pessoas que vivem em ambientes prósperos possuem melhores oportunidades de se tornarem bem sucedidas, pois possuem menos convicções limitadoras, enquanto que as de ambientes menos prósperos, de alguma forma foram acumulando mais convicções ou crenças limitadoras, o que as impede de obterem melhores resultados.
Li uma vez num livro qualquer, que há alguns anos atrás, no decorrer duma palestra, o autor reparou numa garota de 13 anos, sentada na primeira fileira, percebendo no final que estava desacompanhada. Curioso de saber qual era o seu propósito ao participar numa conferência destinada a profissionais da área do desenvolvimento pessoal (PNL), dirigiu-se a ela e logo percebeu que aquela garota era um ser humano extraordinário, com um currículo invejável, pois falava fluentemente quatro idiomas, sendo que um deles era o mandarim, tocava violão, violino, piano, flauta e já era formada em PNL, e que o seu plano para o futuro era fazer uma licenciatura em medicina. Poderemos pensar que seria sobredotada, ou que teria algum dom sobrenatural. Não, ela simplesmente possui-a uma família onde todas estas qualificações eram altamente normais, ou seja, todos na família faziam o que ela faz. Era tudo uma questão de treino, dedicação e disposição para aprender. Por outras palavras, para ela era como aprender a andar. Se todas as pessoas andam, porque é que ela não?
As convicções actuam como a lei da gravidade, mantêm os nossos resultados no solo. Uma nave espacial gasta aproximadamente 75% de todo o seu combustível para sair do campo gravitacional terrestre, os restantes 25% são necessários para fazer a sua exploração espacial e voltar á Terra. Poderá ser este o nosso grande desafio, se quisermos descobrir novos mundos, novas formas de actuação, novos resultados, precisamos de empenhar-nos para ultrapassar os limites gravitacionais das nossas convicções. Ainda que não seja fácil, teremos uma grande sensação de prazer pessoal, se ousarmos explorar novos caminhos e assim obter novos resultados.
Como é que podemos acreditar que não conseguimos aprender química, português, idiomas, conduzir, nadar, falar em público, ou então, que não somos capazes de ser profissionais de sucesso? Excepção feita às pessoas que possuem disfunções físicas ou mentais, todas as outras podem fazer e ser o que bem quiserem no decurso das suas vidas (se alguém é capaz de fazer algo, então qualquer pessoa pode). Não existem limites para as nossas realizações, a não ser as que impomos a nós mesmos através das nossas convicções, ou seja, elas comandam o que é possível ou não é possível acontecer, ter ou fazer. É pois esta a força que impede a grande maioria das pessoas de realizarem mais, pois tais convicções são baseadas em interpretações de experiências pessoais e colectivas passadas, e estas não representam a realidade, apenas a nossa crença. A principal característica que diferencia o ser humano de qualquer outro animal é que possui uma incrível habilidade de aprendizagem. Durante toda a nossa vida adquirimos muitas convicções sobre o que podemos ou não podemos fazer e que direccionam todas as nossas acções. Muitas pessoas aceitam tais convicções e fracassam. Outras, mais sábias, desafiam-nas e prosperam, Vejamos alguns exemplos:

 Benjamin Franklin e o psicólogo Carl Jung eram maus matemáticos;
 Albert Einstein só começou a falar com quase 5 anos e era considerado “retardado mental”;
 O inventor James Watt foi declarado “bronco e incapaz”;
 Walt Disney foi demitido por não ter imaginação;
 Thomas Edison foi intimado a deixar a escola por ser o último da turma.
As convicções estão na origem de todo o sucesso ou fracasso pessoal, e o seu poder sobre o ser humano é magnífico e, muitas vezes, surpreendente. Se entendermos a natureza das convicções, como funcionam, modo de actuação e utilização no dia-a-dia, podemos obter um alto nível de desempenho. Saber que as convicções são regras internas que limitam o nosso desempenho é um passo importante para assumirmos o controlo total da nossa vida.

Bem hajam.

quarta-feira, setembro 29, 2010

A tua Receita, tb é a da D. Cacilda

Dona Cacilda é uma senhora de 92 anos, miúda, e tão elegante, que todo dia às 08 da manhã ela já está toda vestida, bem penteada e discretamente maquiada, apesar de sua pouca visão. E hoje ela se mudou para uma casa de repouso: o marido, com quem ela viveu 70 anos, morreu recentemente, e não havia outra solução..

Depois de esperar pacientemente por duas horas na sala de visitas, ela ainda deu um lindo sorriso quando a atendente veio dizer que seu quarto estava pronto. Enquanto ela manobrava o andador em direção ao elevador, dei uma descrição do seu minúsculo quartinho, inclusive das cortinas floridas que enfeitavam a janela.

Ela me interrompeu com o entusiasmo de uma garotinha que acabou de ganhar um filhote de cachorrinho.

- Ah, eu adoro essas cortinas...
- Dona Cacilda, a senhora ainda nem viu seu quarto... Espera um pouco...

- Isto não tem nada a ver, ela respondeu, felicidade é algo que você decide por princípio. Se eu vou gostar ou não do meu quarto, não depende de como a mobília vai estar arrumada... Vai depender de como eu preparo minha expectativa. E eu já decidi que vou adorar. É uma decisão que tomo todo dia quando acordo.
Sabe, eu posso passar o dia inteiro na cama, contando as dificuldades que tenho em certas partes do meu corpo que não funcionam bem...
Ou posso levantar da cama agradecendo pelas outras partes que ainda me obedecem.

- Simples assim?

- Nem tanto; isto é para quem tem autocontrole e exigiu de mim um certo 'treino' pelos anos a fora, mas é bom saber que ainda posso dirigir meus pensamentos e escolher, em conseqüência, os sentimentos.

Calmamente ela continuou:

- Cada dia é um presente, e enquanto meus olhos se abrirem, vou focalizar o novo dia, mas também as lembranças alegres que eu guardei para esta época da vida. A velhice é como uma conta bancária: você só retira aquilo que guardou. Então, meu conselho para você é depositar um monte de alegrias e felicidades na sua Conta de Lembranças. E, aliás, obrigada por este seu depósito no meu Banco de lembranças. Como você vê, eu ainda continuo depositando e acredito que, por mais complexa que seja a vida, sábio é quem a simplifica..

Depois me pediu para anotar:

Como manter-se jovem:
1. Deixe fora os números que não são essenciais. Isto inclui a idade, o peso e a altura.
Deixe que os médicos se preocupem com isso.

2. Mantenha só os amigos divertidos. Os depressivos puxam para baixo.
(Lembre-se disto se for um desses depressivos! )

3. Aprenda sempre:
Aprenda mais sobre computadores, artes, jardinagem, o que quer que seja. Não deixe que o cérebro se torne preguiçoso.
'Uma mente preguiçosa é oficina do Alemão.' E o nome do Alemão é Alzheimer!

4. Aprecie mais as pequenas coisas

5. Ria muitas vezes, durante muito tempo e alto. Ria até lhe faltar o ar.
E se tiver um amigo que o faça rir, passe muito e muito tempo com ele / ela!

6. Quando as lágrimas aparecerem
Aguente, sofra e ultrapasse.
A única pessoa que fica conosco toda a nossa vida somos nós próprios.
VIVA enquanto estiver vivo.

7. Rodeie-se das coisas que ama:
Quer seja a família, animais, plantas, hobbies, o que quer que seja.
O seu lar é o seu refugio.

8. Tome cuidado com a sua saúde:
Se é boa, mantenha-a..
Se é instável, melhore-a.
Se não consegue melhora-la , procure ajuda.

9. Não faça viagens de culpa.. Faça uma viagem ao centro comercial, até a um país diferente,
mas NÃO para onde haja culpa

10. Diga às pessoas que ama que as ama a cada oportunidade.

quinta-feira, setembro 23, 2010

Valores - o motor das nossas acção



De facto, ainda que não saibamos o porquê? de todas as nossas atitudes e comportamentos, assim como dos outros, lá por trás está algo bem definido e com grande consistência.

É impressionante descobrir cada dia que passa todo um conjunto de necessidades que procuramos realizar de variadíssimas maneiras e que não poucas as vezes, o que fazemos é matar essa "fome" que fomos criando no caminho.

É claro que me refiro a esses nominalismos, a que chamamos em PNL, Valores.

Tendo sido um dia diferente, hoje uma vez mais descobri a força de tais motores, ao ponto de contra-balancear toda a minha vida, nomeadamente hábitos comportamentais que vai muitas vezes me aprisionam a uma necessidade de confirmação, reconhecimento, valorização que a própria mente que pedindo.

Cada vez mais confirmo esta convicção: o problema não está em pensar muito, mas antes, na forma como pensamos, que será o mesmo que dizer, como nos associamos a representações internas ligadas ao passado que depois no presente nos poderão aprisionar a estados emocionais desagradáveis.

É pois a PNL e toda a sua abordagem, um caminho para a congruência interior e cada vez mais acredito que somos nós próprios o nosso criador actual.

Obrigado pela vossa presença. Hoje sou mais livre, ;)

domingo, setembro 19, 2010

Cuidado com o pensamento positivo!

Nos livros de auto-ajuda é muito comum a ideia do pensamento positivo como forma de resolver as dificuldades pessoais; todavia, cientificamente, precisamos deixar claro que o chamado pensamento positivo pode falhar.
Por norma, usamos dois recursos para pensar: com palavras ou com imagens mentais. Einstein, por exemplo, declarou que pensava com imagens que ele produzia e reproduzia voluntariamente.
O pensamento com palavras pode não corresponder às imagens mentais que estamos a produzir no momento do pensamento. Actualmente sabemos que são as imagens, e não as palavras, que mexem com nosso sistema glandular. Por exemplo, se falarmos em passar as unhas num quadro de lousa, e se criarmos a imagem mental deste acto, poderemos experimentar uma sensação de aversão, e até sentir arrepios. Outro exemplo: se imaginarmos estar a chupar um limão, a nossa boca ficará cheia de saliva, mas, se falarmos no limão sem criarmos a imagem mental correspondente, não acontecerá nada. Ou seja, a força da imagem mexeu com o sistema glandular ao ponto de as glândulas salivares produzirem mais saliva.
Quero com isto, demonstrar que são as imagens mentais que têm força e não as palavras que não estejam acompanhadas das imagens daquilo que elas representam.
Os seres humanos, sempre que falam em alguma coisa, têm a tendência de imaginar, de criar automaticamente as imagens contrárias dessa coisa; assim, podemos pensar positivamente e, ao mesmo tempo, criar imagens mentais contrárias do que pensamos com palavras. Podemos dizer que as palavras são do hemisfério esquerdo do cérebro e as imagens são do hemisfério direito, onde se encontra o SAPE (Sistema de Autopreservação e Preservação da Espécie. Sempre que houver conflito entre as imagens mentais e as palavras, as imagens ganham. Ora, uma pessoa pode pensar positivamente e, até sem sentir, criar imagens contrárias do que pensou; por isso, é preciso cuidado com o pensamento positivo.
As pessoas me dizem que por normas pensam sempre positivamente e que mesmo assim, parece que tudo dá errado, é porque pensaram positivamente com palavras e criaram as imagens mentais contrárias do que pensaram e são as imagens mentais, com forte carga de emoções, que conseguem os resultados. Normalmente dirigimo-nos para aquilo de que criamos com imagens mentais com emoção! É isso que nos aproxima ou afasta das situações.
Bem hajam.

sábado, setembro 11, 2010

O caracol

Era uma vez um caracol que decidiu subir ao alto duma cerejeira para se saciar da tão maravilhosa fruta.

O caracol começou a sua ascensão e quando estava a cinquenta centímetros do solo, uns quantos gozadores começaram a rir-se dele.

- Hei, tu, estúpido, não te dás conta de que estamos em janeiro e que em janeiro não há cerejas.

O caracol ficou pensativo e contestou sem se deter:

- Não importa que não haja cerejas agora, haverá quando chegar lá acima.

quinta-feira, setembro 09, 2010

Causa das doenças: negar as nossas reais necessidades.

Quantas vezes temos necessidades físicas e emocionais e as negamos como se não as sentíssemos?
Pode até dizer que sabe quando está com fome e por isso come até mais do que gostaria. Quantas vezes “comeu” mesmo sem fome, só para satisfazer uma necessidade que pensava ser fome?
Tem a certeza que a sua necessidade nalguns momentos é mesmo de comida? Quantas vezes “comeu” por raiva, ansiedade, nervosismo, preocupação e só percebeu os seus reais sentimentos depois que ter comido?
Não percebemos as nossas necessidades na mesma proporção em que não percebemos os nossos sentimentos, negamos até mesmo necessidades básicas. Desde muito pequenos aprendemos a distanciar-nos daquilo que sentimos e a dar prioridade às necessidades dos outros.
Nunca deixou o maior pedaço de bolo ou o maior bife para que o seu marido ou sua filha comesse?
Quantas vezes deixou de comprar uma roupa para si, mas não deixou de comprar para o seu filho?
Ou nunca poupou o seu marido de ter que ir ao supermercado e mesmo sobrecarregada e sem tempo, conseguiu fazer as compras?
Como são divididas as tarefas da casa?
Repartidas entre todos?
Você tem o privilégio de chegar em casa depois de ter trabalhado o dia todo e logo tomar um duche, sem ter nada que fazer?
Ou chega a casa, coloca a roupa na máquina de lavar, o jantar a cozinhar, enquanto isso, liga o computador, vê os e-mails, faz alguns telefonemas pendentes, conversa com o filho, arruma a mesa para o jantar e depois disto tudo, o seu marido chega e ao encontrar tudo praticamente em ordem, ele vai directo para o duche? Será que acontece assim na sua casa?
E ao sair do duche ele vai-se deitar "um pouquinho" porque está muito cansado. E você, como é que se sente?
O que é que faz com que as necessidades dos outros se tornem mais importante que as nossas?

Geralmente nem sequer percebemos que temos necessidades. Algumas vezes não dizemos o que sentimos para evitar “brigas”, e chegamos ao ponto de negarmos a nós mesmos o que sentimos, e assim vamos vivendo, "De barriga cheia". Mas, até quando poderemos viver assim? Já alguma vez parou para pensar nas possíveis causas dessas atitudes? O que é que faz com que neguemos as nossas próprias necessidades enquanto procuramos suprimir as de quem está a nossa volta? De facto, muitas vezes aprendemos a negar as nossas necessidades, ainda muito pequenos, por exemplo, um bebé chora porque está com fome, mas a mãe não o atende.
Por outro lado, quando não chora, a mãe alimenta-o, pois está na hora. Assim, aos poucos, o bebé conclui que ao expressar a sua necessidade, não é ouvido, mas quando não o faz, recebe atenção. Outro exemplo, a criança ao chegar da escola, triste porque se zangou com um amigo, ouve a mãe a dizer que isso não tem importância, porque as zangas de crianças logo passam, que isso é “não é nada”. O que é que “não é nada”, a tristeza da criança? E as infinitas vezes que essa mesma criança ouviu que as criança não sabem o que falam, ou que só fazem coisas erradas? E aquela mãe que diz "não é nada" quando a criança pergunta por que ela está a chorar? Alguém chora porque não estar a sentir nada? É possível sentir-se digno de confiança dessa mãe que nega o que está evidente? Como é que alguém pode crescer a sentir-se importante e consciente do seu valor enquanto pessoa, se tudo que faz ou sente é errado, ou se não lhe dizem a verdade? À medida que essa criança cresce, irá registando no seu inconsciente que é melhor negar e não demonstrar o que sente, pois aprendeu que mesmo que demonstre as suas necessidades, estas não serão atendidas. E você, quantas vezes teve alguém que se importou com o que sentia, com os seus medos, os seus pesadelos, as suas dúvidas, quando era criança? Quem é que o ouvia com atenção e o fazia sentir-se compreendido e seguro? O facto é que antigamente, raramente os sentimentos duma criança eram ouvidos e respeitados, levando-nos muitas vezes à conclusão que para satisfazer as nossas necessidades não devemos demonstrar que as temos. É assim que desde crianças aprendemos a negar as nossas necessidades, sentimentos e sobrevalorizamos as necessidades das outras pessoas. Assim, passamos a dar ao outro aquilo que gostaríamos de receber. Como este processo acontece de forma inconsciente, raramente percebemos que fazemos isso e até damos justificações quando fazemos por alguém o que nem sequer pensamos fazer por nós mesmos. Preocupamo-nos com todos e procuramos realizar as necessidades de todos, suavizamos o sofrimento de muitos, mas insistimos em negar o que está dentro de nós. Resultado: insatisfação, depressão, doenças. Até quando é que irá agir como se não sentisse? Enquanto não respeitar o que sente, o que precisa, dificilmente as pessoas irão respeitá-lo. Procure ouvir-se mais. Identifique o que precisa, as suas necessidades em todos os aspectos, não apenas as físicas, mas também, e principalmente, as suas necessidades emocionais. Do que é que sente mais falta neste momento? De um colo, um ombro amigo para chorar? Fale nisso com o seu namorado, marido, esposa, amigo. Deixe-o saber o que quer, assim dará ao outro a possibilidade de fazer um pouco mais por si. Continue a fazer com que as pessoas que estejam ao seu lado se sintam importantes por serem tratadas da forma especial com que as trata, mas isso não requer que deixe de lado suas as vontades, desejos, necessidades e sentimentos. Não espere que alguém perceba as suas necessidades para que elas sejam satisfeitas. Aquela atenção, amor, carinho e dedicação que distribui entre aqueles que ama? Dê um pouco a si mesmo, sempre e incondicionalmente!

Bem hajam. Miguel Ferreira

terça-feira, setembro 07, 2010

Vícios de Leitura (hábito)

“Ninguém se liberta de um hábito atirando-o pela janela, é preciso fazê-lo descer a escada, degrau por degrau.Mark Twain

“O hábito é o melhor dos servos ou o pior dos amos.” Nathaniel Emmos

Os vícios são as coisas que fazemos quase que sem saber ou de modo inconsciente, automático. A maioria dos vícios de leitura foram aprendidos na idade escolar, durante o processo de alfabetização. Tais vícios tornam a leitura menos veloz, cansativa, de difícil compreensão e retenção.

Para perder um vício é importante descondicioná-lo e condicionar um novo comportamento para preencher o espaço vazio. A eliminação dos vícios de leitura é fundamental para que se desenvolva uma forma de "leitura dinâmica" mais funcional. Veja a seguir 6 vícios de leitura:

O QUE NÃO FAZER = VÍCIOS DE LEITURA

1. Ler palavra por palavra.
2. Ler silabicamente
3. Ler repetindo oralmente (sussurrar).
4. Ler c/ movimentos labiais (subvocalização).
5. Repetir mentalmente o que lê.
6. Mover a cabeça quando lê.

O QUE FAZER

1. Ler o conjunto = leitura por frase.
2. Ler o conjunto = leitura por frase.
3. Ler sem repetir oralmente.
4. Não mover os lábios. Só os olhos.
5. Não usar a “voz interna”, “voz mental”.
6. Movimentar só os olhos.


1. A leitura palavra por palavra cansa porque muitas das palavras servem apenas para “fazer volume”. Não alteram o sentido do texto. Além disso perde-se velocidade quando lemos palavra por palavra, de modo isolado. Faça leitura por unidade de pensamento, por frase. Entenda o conjunto e não se prenda a detalhes.


2. A leitura silábica ( si-lá-bi-ca ) cansa também. Perde-se velocidade. Ler silabicamente é pior do que ler palavra por palavra. A quantidade de movimentos oculares que este vício provoca, resulta em cansaço na leitura e também causa dores de cabeça.


3. Vocalização ou leitura sussurrada limita a velocidade da leitura à velocidade da fala que é de +/- 100 palavras por minuto. Use a voz apenas para falar. A alfabetização que ensina a ler falando, a falar em voz alta para o professor avaliar a leitura, pode criar o vício da vocalização posteriormente.


4. Subvocalização. A vocalização poderá ocorrer sem o som propriamente dito, movendo-se apenas os lábios. A isto dá-se o nome de subvocalização. Não há necessidade de se mover os lábios. Movimente apenas os olhos. Quando vocalizamos com ou sem som, aumenta o trabalho mental sem necessidade, pois o cérebro terá que coordenar a articulação das palavras. Os exercícios de aumento velocidade farão quebrar o vício de subvocalizar. A velocidade grande ( mais de 300 palavras lidas por minuto) não permite a subvocalização (100 palavras lidas por minuto).


5. Repetição mental do que lemos. A velocidade do pensamento é maior do que a velocidade de leitura. Repetindo-se mentalmente o que lemos estimulamos a falta de concentração, cria-se espaço para divagações e diminui a velocidade da leitura.

A repetição mental é a chamada “voz interna” estimada em + / – 200 palavras lidas por minuto.


6. Mover a cabeça da direita para a esquerda ( e vice-versa ) é inútil e cansa. Condicione-se a ficar com a cabeça parada e a mover só os olhos. Manter a cabeça parada permite que os olhos saltem com maior precisão pelas frases. Quem move a cabeça enquanto lê, está fazendo com a cabeça o que os olhos deveriam fazer.