sábado, fevereiro 28, 2015

Aceitar o "espinho" alheio...p

Durante a Era Glacial, muitos animais morriam por causa do frio. Os porcos-espinhos, percebendo esta situação, resolveram juntar-se em grupos, assim se agasalhavam e protegiam mutuamente.
Mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que lhes forneciam calor. E, por isso tornavam a afastar-se uns dos outros. Voltaram a morrer congelados e precisavam fazer uma escolha: Desapareceriam da face da Terra ou aceitavam os espinhos do semelhante.
Com sabedoria, decidiram voltar e ficar juntos. Aprenderam, assim, a conviver com as pequenas feridas que uma relação muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro.
Sobreviveram!
O melhor grupo não é aquele que reúne membros perfeitos, mas aquele onde cada um aceita os defeitos do outro e consegue aceitação dos próprios defeitos.

Bem hajam.

sábado, fevereiro 14, 2015

Agora apenas dormo para sonhar


Assim, depois de muito esperar, um dia como qualquer outro decidi triunfar? Decidi não ficar à espera das oportunidades e fui procurá-las Decidi ver cada problema como a oportunidade de encontrar uma solução Decidi ver cada deserto como a oportunidade de encontrar um oásis Decidi ver cada noite como um mistério a resolver Decidi ver cada dia como a oportunidade de ser Feliz Aquele dia, Descobri que o meu único rival eram apenas as minhas debilidades e que estas são a única e melhor forma de me superar Aquele dia deixei de ter medo de perder e comecei a ter medo de não ganhar Descobri que não era o melhor e que talvez nunca o tenha sido Deixou de me importar quem ganhara ou quem perdera Agora simplesmente me importa ser melhor que ontem Aprendi que o difícil não é chegar ao topo, mas sim nunca deixar de subir Aprendi que o maior sucesso que posso alcançar é o ter direito de chamar a alguém de "AMIGO" Descobri que o amor é mais do que uma simples paixão. O amor é uma filosofia de vida Aquele dia deixei de ser o reflexo dos meus poucos sucessos alcançados e comecei a ser a minha própria luz do meu presente Aprendi de que nada serve ser luz se não for para iluminar também o caminho da Humanidade Naquele dia decidi mudar tanta coisa? Aprendi que os sonhos são apenas para transformar em realidade e desde esse dia que Não durmo para descansar? Agora apenas durmo para sonhar.


Walt Disney

Carroças vazias


Certa manhã, meu pai convidou-me para dar uma volta numa carroça pelo bosque. Ao ouvir um ruído meu pai parou e perguntou-me: Para alem do barulho dos pássaros que outros barulhos ouves? Ouço o barulho de uma carroça – respondi-lhe. Muito bem –disse meu pai – uma carroça vazia! Como sabes que é uma carroça vazia? Perguntei-lhe, ao que ele me respondeu: É uma carroça vazia porque quando estão vazias fazem mais barulho. Cresci, fiz-me adulto e hoje quando ouço certo tipo de pessoas que falam sem respeitarem os outros, elevam a sua voz querendo dar a ideia de que são os donos da verdade e da sabedoria, que são agressivos com intenção de intimidar, lembro-me sempre do meu pai quando dizia: As carroças vazias são sempre as que mais barulho fazem!

O mestre da paciência


Conta a lenda que um velho sábio, tido como mestre da paciência, era capaz de derrotar qualquer adversário.

Certa tarde, um homem conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu com a intenção de desafiar o mestre da paciência. O velho aceitou o desafio e o homem começou a insultá-lo. Chegou a jogar algumas pedras em sua direção, cuspiu em sua direção e gritou todos os tipos de insultos.

Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível.

No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o homem se deu por vencido e retirou-se.

Impressionados, os alunos perguntaram ao mestre como ele pudera suportar tanta indignidade.
O mestre perguntou:- Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente?
- A quem tentou entregá-lo. Respondeu um dos discípulos.
- O mesmo vale p/ a inveja, a raiva e os insultos. Quando não aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo. A sua paz interior depende exclusivamente de você.
As pessoas não podem lhe tirar a calma.....a não ser que você permita!!!!!!

UM REI...

Era uma vez..... Um rei que tinha 4 esposas...

Ele amava a 4ª esposa demais..... e vivia dando-lhe lindos presentes, jóias e roupas caras. Ele dava-lhe de tudo e sempre do melhor...

Ele também amava muito a sua 3ª esposa e gostava de exibi-la aos reinados vizinhos. Contudo, ele tinha medo que um dia, ela o deixasse por outro rei...

Ele também amava a sua 2ª esposa. Ela era sua confidente e estava sempre pronta para ele, com amabilidade e ciência. Sempre que o rei tinha que enfrentar um problema, ele confiava nela, para atravessar esses tempos de dificuldade.....

A 1ª esposa era uma parceira muito leal e fazia tudo que estava ao seu alcance para manter o rei muito Rico e poderoso, ele e o reino. Mas....ele não amava a 1ª esposa, e apesar dela o amar profundamente, ele mal tomava conhecimento dela.

Um dia.... o rei caiu doente.... e percebeu que o seu fim estava próximo...Ele pensou em toda a luxúria da sua vida e ponderou...."É.... agora eu tenho 4 esposas comigo, mas quando eu morrer, eu ficarei sozinho...

Então... ele perguntou a 4ª esposa:
-"Eu amei-te tanto, querida.... cobri-te com as mais finas roupas e jóias.... Mostrei o quanto te amava, cuidando bem de ti.... agora que eu estou morrendo.... és capaz de morrer comigo, para não me deixar sozinho...? De jeito nenhum!" respondeu a 4ª esposa e saiu do quarto sem sequer olhar para trás...
A resposta que ela deu....cortou o coração do rei...... como se fosse uma faca afiada...

Tristemente.... o rei então perguntou a 3ª esposa: "Eu também te amei tanto a vida inteira.....Agora que eu estou morrendo... és capaz de morrer comigo, para não me deixar sozinho...? "Não!!!", respondeu a 3ª esposa. "A vida é boa demais!!! Quando você morrer, eu vou é ..... casar de novo..." O coração do rei sangrou e gelou.... de tanta dor...

Ele perguntou, então, à 2ª esposa: "Eu sempre recorri a ti quando precisei de ajuda...... e sempre estiveste ao meu lado... Quando eu morrer... serás capaz de morrer comigo, para me fazer companhia...? Sinto muito... mas..., desta vez, eu não posso fazer o que me pedes! "respondeu a 2ª esposa. O máximo que eu posso fazer... é enterrar-te..."
Essa resposta veio como um trovão na cabeça do rei e ele ficou arrasado...

Daí...uma voz se fez ouvir... "Eu partirei contigo e o seguirei por onde fores..."
O rei levantou os olhos e lá estava a sua 1ª esposa, tão magrinha... tão mal nutrida,... tão sofrida...Com o coração partido, o rei falou:
"Eu deveria ter-te cuidado muito melhor, enquanto eu ainda podia..."

Na Verdade... nós todos temos 4 esposas nas nossas vidas...
A nossa 4ª esposa é o nosso corpo. Apesar de todos os esforços que fazemos para o manter saudável e bonito... ele deixará-nos, quando morrermos...

A nossa 3ª esposa são as nossas posses, as nossas propriedades, as nossas riquezas...
Quando morremos, tudo isso vai para os outros...

A nossa 2ª esposa são a nossa família e nossos amigos. Apesar de nos amarem muito e estarem sempre a apoiar-nos, o máximo que eles podem fazer... é enterrar-nos...

E a nossa 1ª esposa é o nosso ESPÍRITO... ...muitas vezes deixado de lado... ele fica lá no fundo, esquecido, por perseguirmos durante a vida toda, a Riqueza, o Poder e os Prazeres do nosso ego... É nele que cabe Deus, como bem dizia Dostoievsky:

"Todo homem tem dentro de si um vazio do tamanho de Deus".
Pena é que muitas vezes só consideramos isto quando estamos para deixar este mundo...
Apesar de tudo, é a única coisa que sempre irá connosco, não importa para onde formos...

Então... Cultive-o... Fortaleça-o... Bendiga-o... e acima de tudo, Alimente-o...
Dê o verdadeiro sentido à sua vida agora!!!!
É o maior presente que você pode dar ao mundo e principalmente a si mesmo...

LENDA ORIENTAL

Conta uma lenda popular do Oriente que um jovem chegou a um oásis junto a uma povoação e aproximou-se de um velho derviche e perguntou-lhe:
"Que tipo de pessoas vivem neste lugar?"
"Que tipo de pessoas viviem no lugar de onde vem?", perguntou o ancião.
"Oh, um grupo de egoístas e malvados.", replicou o rapaz.
"Estou satisfeito de ter saído de lá."
A isso, o velho replicou: "A mesma coisa haverá de encontrar por aqui."
No mesmo dia, um outro jovem se acercou do oásis para beber água e vendo o ancião, perguntou-lhe:
"Que tipo de pessoas vivem neste lugar?"
"Que tipo de pessoas viviem no lugar de onde vem?"
O rapaz respondeu: "um magnífico grupo de pessoas, amigas, honestas, hospitaleiras.
Fiquei muito triste por ter que deixá-las."
"O mesmo encontrará por aqui.", respondeu o ancião.
Um homem que tinha escutado as duas conversas perguntou ao velho:
"Como é possível dar respostas tão diferentes à mesma pergunta? Ao que o velho respondeu:
"Cada um carrega no seu coração o meio em que vive. Aquele que nada encontrou de bom nos lugares onde passou, não encontrará outra coisa por aqui. Aquele que encontrou amigos ali, também os encontrará aqui, porque, na verdade, a nossa atitude mental é a única coisa na nossa vida sobre a qual podemos manter o controle absoluto.

Coloque dentro de si a idéia do sucesso.
O primeiro requisito essencial para encontrar uma vida digna de ser vivida é ter uma atitude mental positiva.

O FARMACÊUTICO E A CRIANÇA


João era o dono duma farmácia bem sucedida. Era um homem bastante inteligente mas não acreditava na existência de Deus ou de qualquer outra coisa além do mundo material.
Um certo dia, estava ele a fechar a farmácia quando chegou uma criança aos prantos a dizer que a sua mãe estava muito mal e que se ela não tomasse o medicamento iria morrer.
Muito nervoso, e após a insistência da criança, resolveu reabrir a farmácia para lhe dar o medicamento. A sua insensibilidade perante aquele momento era tal que acabou por lhe dar medicamento mesmo no escuro. A criança agradeceu e saiu dali depressa. Alguns minutos depois João percebeu que tinha entregado o medicamento errado e que se aquela mãe o tomasse teria morte instantânea. Desesperado tentou alcançar a criança mas não teve êxito. Sem saber o que fazer e com a consciência pesada, ajoelhou-se e começou a chorar e a dizer que se realmente existisse um Deus que não o deixasse passar por assassino.
De repente, sentiu uma mão a tocar-lhe no ombro esquerdo e ao virar-se deparou com a criança a dizer: - Senhor, por favor não se zange comigo, mas é que cai e parti o vidro do medicamento...

Será que o senhor me poderia dar outro?

quinta-feira, fevereiro 05, 2015

O BOM CAPITÃO


Havia um navio a vapor, em águas inglesas, velho, pesado e aparentemente impróprio para continuar navegando, que toda vez que chegava nas docas, de forma desajeitada, derrubava alguma parte do portão de entrada.Porém, um certo dia, quando se aproximava e todos observavam para ver que tipo de estrago faria, ele passou suavemente, deslizando sobre as águas, sem que nada de anormal fosse visto.Um dos espectadores gritou: - "O que houve com o velho navio? Alguma coisa aconteceu."
Um dos membros da tripulação, respondeu: "É o mesmo navio velho de sempre, mas temos um novo capitão."

Autor desconhecido

domingo, fevereiro 01, 2015

Somente de Passagem


Conta-se que no século passado, um turista americano foi à cidade do Cairo, no Egipto, com o objectivo de visitar um famoso sábio.
O turista ficou surpreendido ao ver que o sábio morava num quartinho muito simples e cheio de livros.
As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco.
- Onde estão os seus móveis, perguntou-lhe o turista.
E o sábio, acto contínuo, perguntou também:
- E onde estão os seus...?
- Os meus?!, surpreendeu-se o turista.
Mas eu estou aqui só de passagem!
- Eu também, concluiu o sábio.

A VIDA NA TERRA É SOMENTE UMA PASSAGEM... NO ENTANTO, ALGUNS VIVEM COMO SE FOSSEM FICAR AQUI ETERNAMENTE, E ESQUECEM-SE DE SEREM FELIZES.'

O valor das coisas não está no tempo em que duram, mas na intensidade com que acontecem.
É por isso que existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis'.

(Fernando Pessoa)

segunda-feira, janeiro 26, 2015


O Zelador da Fonte

Conta uma lenda austríaca que em determinado povoado havia um pacato habitante da floresta que foi contratado pelo conselho municipal para cuidar das piscinas que guarneciam a fonte de água da comunidade. O cavalheiro com silenciosa regularidade, inspecionava as colinas, retirava folhas e galhos secos, limpava o limo que poderia contaminar o fluxo da corrente de água fresca. Ninguém lhe observava as longas horas de caminhada ao redor das colinas, nem o esforço para a retirada de entulhos. Aos poucos, o povoado começou a atrair turistas. Cisnes graciosos passaram a nadar pela água cristalina. Rodas d´água de várias empresas da região começaram a girar dia e noite. As plantações eram naturalmente irrigadas, a paisagem vista dos restaurantes era de uma beleza extraordinária.
Os anos foram passando. Certo dia, o conselho da cidade se reuniu, como fazia semestralmente. Um dos membros do conselho resolveu inspecionar o orçamento e colocou os olhos no salário pago ao zelador da fonte. De imediato, alertou aos demais e fez um longo discurso a respeito de como aquele velho estava sendo pago há anos, pela cidade. E para quê? O que é que ele fazia, afinal? Era um estranho guarda da reserva florestal, sem utilidade alguma. Seu discurso a todos convenceu. O conselho municipal dispensou o trabalho do zelador.
Nas semanas seguintes, nada de novo. Mas no outono, as árvores começaram a perder as folhas. Pequenos galhos caíam nas piscinas formadas pelas nascentes. Certa tarde, alguém notou uma coloração meio amarelada na fonte. Dois dias depois, a água estava escura. Mais uma semana e uma película de lodo cobria toda a superfície ao longo das margens. O mau cheiro começou a ser exalado. Os cisnes emigraram para outras bandas. As rodas d´água começaram a girar lentamente, depois pararam. Os turistas abandonaram o local. A enfermidade chegou ao povoado. O conselho municipal tornou a se reunir, em sessão extraordinária e reconheceu o erro grosseiro cometido. Imediatamente, tratou de novamente contratar o zelador da fonte. Algumas semanas depois, as águas do autêntico rio da vida começaram a clarear. As rodas d´água voltaram a funcionar. Voltaram os cisnes e a vida foi retomando seu curso.........

(autor desconhecido)

sábado, janeiro 17, 2015

A FLAUTA MÁGICA


Era uma vez um caçador que contratou um feiticeiro para ajudá-lo a conseguir alguma coisa que pudesse facilitar o seu trabalho nas caçadas. Depois de alguns dias, o feiticeiro entregou-lhe uma flauta mágica que, ao ser tocada, enfeitiçava os animais, fazendo-os dançar.
Entusiasmado com o instrumento, o caçador organizou uma caravana com destino à África, convidando dois outros amigos. Logo no primeiro dia de caçada, o grupo deparou-se com um tigre feroz. De imediato, o caçador pôs-se a tocar a flauta e, milagrosamente, o tigre começou a dançar. Foi fuzilado à queima-roupa.
Horas depois, um sobressalto. A caravana foi atacada por um leopardo que saltava duma árvore. Ao som da flauta, contudo, o animal transformou-se: de agressivo, ficou manso e dançou. Os caçadores não hesitaram: mataram-no com vários tiros.
E foi assim até o final do dia, quando o grupo encontrou um leão faminto. A flauta soou, mas o leão não dançou, mas atacou um dos amigos do caçador flautista, devorando-o. Logo depois, devorou o segundo. O tocador de flauta, desesperadamente, fazia soar as notas musicais, mas sem resultado. O leão não dançava. E enquanto tocava e tocava, o caçador foi devorado. Dois macacos, em cima duma árvore próxima, a tudo assistiam. Um deles observou com sabedoria:
- Eu sabia que eles se iam dar mal quando encontrassem um animal surdo...

Não confie cegamente nos métodos que deram sempre certo, pois um dia podem não dar. Tenha sempre planos de contingência, prepare alternativas para as situações imprevistas, analise as possibilidades de erro. Esteja atento às mudanças e não espere as dificuldades para agir.
Cuidado com o “leão surdo”.


Bem hajam!

domingo, janeiro 11, 2015

A Morte


Um homem muito rico pediu a um mestre Zen um texto que o fizesse sempre lembrar do quanto era feliz com a sua família. O mestre Zen pegou num pergaminho e, com uma linda caligrafia, escreveu:
- O pai morre. O filho morre. O neto morre.
- Como? - disse, furioso, o homem rico. - Eu pedi-lhe alguma coisa que me inspirasse, um ensinamento que fosse sempre contemplado com respeito pelas minhas próximas gerações, e o senhor dá-me algo tão depressivo e deprimente como estas palavras?
- O senhor pediu-me algo que lhe fizesse lembrar sempre a felicidade de viver junto da sua família. Se o seu filho morrer antes, todos serão devastados pela dor. Se o seu neto morrer, será uma experiência insuportável.

domingo, janeiro 04, 2015

O Inferno e o Ceu

Mestre e discípulo foram até uma região onde havia fartura de arroz mas os habitantes daquele lugar possuíam talas em seus braços, o que os impedia de levarem o alimento à própria boca. No meio daquela fartura, passavam fome e eram fracos e subnutridos!
- Veja! - Disse o Mestre - Isto, é o inferno.
Em seguida, o Mestre guiou o Discípulo para uma região próxima e mostrou que nela também havia fartura de arroz e as pessoas também tinham os braços atados a talas mas eram saudáveis e bem nutridas pois uma levava o arroz à boca do outro, em um processo de interdependência e cooperação mútua. 
- E isto é o Céu.

quarta-feira, dezembro 31, 2014

O Observador


Um certo dia um rei chamou ao seu palácio o mestre zen Muhak - que viveu de 1317 a 1405 - e lhe disse que, para afastar o cansaço e a tensão do trabalho administrativo, queria ter uma conversa completamente informal com ele. Em seguida, o rei comentou que Muhak parecia um grande porco faminto procurando comida. 

- E você, excelência parece o Buda Sakiamuni meditando, sobre um pico elevado dos Himalaias. 
O rei ficou surpreso com a resposta de Muhak. 
- Comparei você a um porco, e você compara-me ao Buda?
- É que um porco só pode ver porco, excelência, e um Buda só pode ver Buda.

sábado, dezembro 27, 2014

Inferioridade

Um samurai, conhecido por todos pela sua nobreza e honestidade, foi visitar um monge Zen em busca de conselhos. Entretanto, assim que entrou no templo onde o mestre rezava, sentiu-se inferior, e concluiu que, apesar de toda a sua vida ter lutado por justiça e paz, não tinha sequer chegado perto ao estado de graça do homem que tinha à sua frente.
- Por que razão me estou a sentir tão inferior a si? Já enfrentei a morte muitas vezes, defendi os mais fracos, sei que não tenho nada do que me envergonhar.
Entretanto, ao vê-lo meditar, senti que a minha vida não tem a menor importância.
- Espere. Assim que eu tiver atendido todos os que me procurarem hoje, eu dou-te a resposta.
Durante o resto do dia o samurai ficou sentado no jardim do templo, a olhar para as pessoas que entraram e saíram à procura de conselhos. Viu como o monge atendia a todos com a mesma paciência e com o mesmo sorriso luminoso no seu rosto. Mas o seu estado de ânimo ficava cada vez pior, pois tinha nascido para agir, não para esperar. De noite, quando todos já tinham partido, ele insistiu:
- Agora podes-me ensinar?
O mestre pediu que entrasse, e conduziu-o até o seu quarto. A lua cheia brilhava no céu, e todo o ambiente inspirava uma profunda tranquilidade.
- Estás a ver esta lua, como ela é linda? Ela vai cruzar todo o firmamento, e amanhã o sol tornará de novo a brilhar. Só que a luz do sol é muito mais forte, e consegue mostrar os detalhes da paisagem que temos à nossa frente: árvores, montanhas, nuvens. Tenho contemplado os dois durante anos, e nunca escutei a lua a dizer: por que não tenho o mesmo brilho do sol? Será que sou inferior a ele?
- Claro que não - respondeu o samurai. - Lua e sol são coisas diferentes, e cada um tem sua própria beleza. Não podemos comparar os dois.
- Então, tu sabes a resposta. Somos duas pessoas diferentes, cada qual a lutar à sua maneira por aquilo que acredita, e a fazer o possível para tornar este mundo melhor; o resto são apenas aparências. 

Bem hajem e Bom Natal,

Atravessando o Rio

Dois monges viajavam juntos num caminho lamacento. Chovia torrencialmente o que dificultava a caminhada.  A certa altura tinham que atravessar um rio, cuja água lhes dava pela cintura. Na margem estava uma moça que parecia não saber o que fazer:
- Quero atravessar para o outro lado, mas tenho medo.
Então o monge mais velho carregou a moça às suas cavalitas para a outra margem. Horas depois, o monge mais novo não se conteve e perguntou:
- Nós, monges, não nos devemos aproximar das mulheres, especialmente se forem jovens e atraentes. É perigoso. Por que fez aquilo?
- Eu deixei a moça lá atrás. Você ainda a está a carregar?

Pois é assim com muitas pessoas que conheço, e que passam a vida a julgar e a ressentir a atitude dos outros, gastando tempo e energia em algo que não irá contribuir em nada para a modificação do que passou e além disso, muitas vezes presa a esse mesmo passado que as impede de prosperar, aproveitar e disfrutar da vida.

Procurem pois aprender com os erros e viver cada vez melhor o presente.

Votos de boas festas. Bem hajam

quarta-feira, dezembro 17, 2014

A chavená de chá

Um professor de filosofia foi ter com um mestre zen, Nan-In, e fez-lhe perguntas sobre Deus, o nirvana, meditação e muitas outras coisas. O Mestre ouviu-o em silêncio e depois disse.
- Pareces cansado. Escalaste esta alta montanha, vieste de um lugar longínquo.
Deixa-me primeiro servir-te uma chávena de chá.
O Mestre fez o chá. Fervilhando de perguntas, o professor esperou. Quando o Mestre serviu o chá encheu a chávena do seu visitante e continuou a enche-la. A chávena transbordou e o chá começou a cair do pires até que o seu visitante gritou:
- Para. Não vês que o pires está cheio?
- É exatamente assim que te encontras. A tua mente está tão cheia de perguntas que mesmo que eu responda não tens nenhum espaço para a resposta. Sai, esvazia a chávena e depois volta.
Encontramos tantas vezes pessoas na vida que estão tão cheias delas próprias e de convicções fixas acerca de si e dos assuntos da vida e que dificilmente conseguem encontrar espaço para aprender novas coisas ou ter novas perspetivas.
Mesmo que queiramos mostrar outros pontos de vista, quanto mais procuramos convence-las mais elas se justificam com as suas ideias que vão defendendo certas formas de ser e estar que de alguma forma as compensam ou equilibram.
De facto, necessitamos de acreditar sempre em algo. Uns acreditam num Deus todo-poderoso, outros em diversos Deuses, outros no Deus dinheiro, outros apenas na ciência e ainda outros que afirmam que não acreditam em nada, nem em ninguém.
A falta de abertura é por norma sinónimo de ignorância e esta é a porta para o fracasso em qualquer área da nossa vida, e é claro que não sendo propositado, essa rigidez representa para muitos a convicções defensivas, para que não se volte a sofrer, como passou no passado. O facto de ter caído uma vez, não significa que tenha que estar sempre a cair. Por isso, aprenda com a própria vida, pois ela mesmo está sempre a ensinarmos, ainda que muitas vezes a lição não é clara e custe a aceitar. No entanto é fundamental essa aprendizagem, pois de somos nós os principais responsáveis pela forma como interpretamos e sentimos a vida, e nem sempre ela acontece da forma como gostaríamos que acontecesse e por mais “voltas que o rio deia ele sempre vai desaguar ao mar”.

Tenha pois um espirito aberto á vida e pratique a gratidão. Só assim poderá estar verdadeiramente apto a tirar total partido da vida, pois o melhor está sempre para vir.

domingo, dezembro 07, 2014

Apego


Um dia morreu o guardião de um mosteiro Zen. Para descobrir quem seria a nova sentinela, o mestre convocou os discípulos e disse:
- O primeiro que conseguir resolver o problema que vou apresentar assumirá o posto.
Então numa mesa que estava no centro a sala colocou um vaso de porcelana muito raro, com uma rosa amarela de extraordinária beleza. E disse apenas: 
- Aqui está o problema!
Todos ficaram a olhar a cena: o vaso belíssimo, de valor inestimável, com a maravilhosa flor ao centro! O que representaria? O que fazer? Qual o enigma? De repente um dos discípulos saca da espada, olha para o mestre, dirigi-se para o centro da sala e... Zazzz! Com um só golpe destruiu tudo. 
- Você é o novo guardião. Não importa que o problema seja algo lindíssimo. Se for um problema, precisa ser eliminado.

O inferno e o céu

Atacado na própria honra, o samurai teve um acesso de fúria e, sacando da bainha a sua espada, berrou:
- Eu poderia matar-te por tua impertinência!
- Isso é o Inferno – respondeu o Mestre
Espantado por ver a verdade no que o mestre dizia, o samurai embainhou a espada e sorriu, fazendo-lhe uma reverência
- E isso é o Céu – disse o Mestre.