quarta-feira, outubro 19, 2016

A demissão da formiga desmotivada


Era uma vez, uma formiga que chegava todos os dias bem cedo ao escritório e trabalhava arduamente. A formiga era produtiva e feliz.


O gerente vespão estranhou a formiga trabalhar sem supervisão. Se ela era produtiva sem supervisão, seria ainda mais se fosse supervisionada. E colocou uma barata, que preparava belíssimos relatórios e tinha muita experiência, como supervisora.
A primeira preocupação da barata foi a de padronizar o horário de entrada e saída da formiga.
Logo, a barata precisou duma secretária para ajudar a preparar os relatórios e contratou também uma aranha para organizar os arquivos e controlar as ligações telefónicas.
O vespão ficou encantado com os relatórios da barata e pediu também gráficos com indicadores e análise das tendências que eram mostradas nas reuniões.
A barata, então, contratou uma mosca, e comprou um computador com impressora a cores.
Logo, a formiga produtiva e feliz, começou a lamentar-se de toda aquela movimentação de papéis e reuniões!
O vespão concluiu que era o momento de criar a função de gestor para a área onde a formiga produtiva e feliz, trabalhava. O cargo foi dado a uma cigarra, que mandou colocar carpete no seu escritório e comprar uma cadeira especial...
A nova gestora cigarra logo precisou dum computador e duma assistente a pulga (a sua assistente na empresa anterior) para ajudá-la a preparar um plano estratégico de melhorias e um controle do orçamento para a área onde trabalhava a formiga, que já não cantarolava mais e a cada dia se aborrecia mais.
A cigarra, então, convenceu o gerente vespão, que era preciso fazer uma análise de sector. Mas, o vespão, ao rever as finanças, deu-se conta de que a unidade na qual a formiga trabalhava já não rendia como antes e contratou a coruja, uma prestigiada consultora, muito famosa, para que fizesse um diagnóstico da situação.
A coruja permaneceu três meses nos escritórios e emitiu um volumoso relatório, com vários volumes que concluía: Há muita gente nesta empresa!
E adivinhem quem o vespão mandou demitir?
A formiga, claro, porque ela andava muito desmotivada e aborrecida.

Bem hajam, Miguel Ferreira

quinta-feira, setembro 01, 2016

Assembleia na Carpintaria



Contam que na carpintaria houve uma vez uma estranha assembleia. Foi uma reunião das ferramentas para acertar as diferenças. O martelo exerceu a presidência, mas os participantes notificaram-lhe que teria que renunciar. A causa? Fazia demasiado barulho e, além do mais, passava o tempo todo golpeando. O martelo aceitou a sua culpa, mas pediu também que fosse expulso o parafuso, dizendo que ele dava muitas voltas para conseguir algo. Diante do ataque, o parafuso concordou, mas por sua vez, pediu a expulsão da lixa. Dizia que ela era muito áspera no tratamento aos demais, entrando sempre em atritos. A lixa acatou, com a condição que fosse expulso o metro, que sempre media os outros segundo a sua medida, como se fora o único perfeito.
Nesse momento entrou o carpinteiro, juntou o material e iniciou o trabalho. Utilizou o metro, a lixa, o martelo e o parafuso. Finalmente, a rústica madeira converteu-se num fino móvel. Quando a carpintaria ficou novamente só, a assembleia reativou a discussão. Foi então que o serrote tomou a palavra e disse: "Senhores, ficou demonstrado que temos defeitos, mas o carpinteiro trabalhou com os nossos pontos valiosos. Assim, não pensemos nos nossos pontos fracos, e concentremo-nos nos nossos pontos fortes".
A assembleia entendeu que o martelo era forte, o parafuso unia e dava força, a lixa era especial para limar e afinar as asperezas, o metro era preciso e exato. Sentiram-se, então, como uma equipe capaz de produzir móveis de qualidade. Sentiram alegria pela oportunidade de trabalhar juntos. Ocorre o mesmo com os seres humanos, basta observar e comprovar. Quando uma pessoa procura defeitos noutra, a situação torna-se tensa e negativa. Ao contrário, quando se procura com sinceridade o ponto forte dos outros, florescem as melhores conquistas.
É fácil encontrar defeitos. Qualquer um pode fazê-lo. Mas encontrar qualidades, isto é para os sábios.

segunda-feira, agosto 01, 2016

Pai, posso pedir-te emprestado 10 euros



Um homem chegou a casa do trabalho, cansado e irritado, quando encontrou o seu filho à espera na porta.
Filho: Papá, posso fazer-te uma pergunta?
Pai: Claro que sim, o que foi? - disse o homem
Filho: Papá, quando ganhas por hora?
Pai: Não tens nada a ver com isso. Porque é que perguntas uma coisa dessas? - disse o homem furioso
Filho: Apenas quero saber. Diz-me por favor quanto ganhas por hora?
Pai: Já que queres saber ganho 20 euros por hora.
Filho: Oh! - respondeu a criança, cabisbaixo
Filho: Papá, posso pedir-te emprestado 10 euros?
Agora, o homem estava furioso - Se a única razão pela qual tu perguntaste isso foi para te emprestar dinheiro para comprar um brinquedo qualquer sem jeito nenhum, vai já imediatamente à minha frente para o teu quarto e vai para a cama. Pensa porque és tão egoísta! Eu não ando a trabalhar todos os dias para estas palermices!
A criança foi silenciosamente para o seu quarto e fechou a porta.
O homem sentou-se e começou a ficar ainda mais chateado com as perguntas do seu filho. Como é que ele se atreve a perguntar aquelas coisas apenas para ter algum dinheiro?!
Meia hora depois, o homem acalmou e começou a pensar:
Talvez exista alguma coisa que ele queira comprar com os 10 euros e já que ele não me pede dinheiro tantas vezes, o homem dirigiu-se à porta do quarto do seu filho e abriu a porta.
Pai: Estás a dormir? - perguntou o homem
Filho: Não papá, estou acordado - respondeu a criança
Pai: Estive a pensar e acho que fui muito duro contigo. Foi um dia grande de trabalho e descarreguei em cima de ti. Aqui está a nota de 10 euros que me pediste - disse o homem
A criança sentou-se na cama a sorrir e disse: Oh papá! Muito obrigado! -exclamou
Depois, levantou a almofada e tirou duas notas de cinco euros amarrotadas.
O homem viu que a criança tinha dinheiro e começou a ficar novamente chateado.
A criança começou a contar o dinheiro e depois olhou para o seu pai.
Pai: Porque é que que queres mais dinheiro se já tens algum? - perguntou o homem furioso.
Filho: Porque não tinha suficiente, mas agora já tenho - respondeu a criança.
Filho: Papá, agora tenho 20 euros. Posso comprar uma hora do teu tempo?
Anda para casa amanhã mais cedo. Adorava jantar contigo.
O pai ficou completamente emocionado. Abraçou o seu filho e pediu-lhe desculpa.
Nota: Este é um pequeno lembrete para todos nós que trabalham muito duro na vida. Temos de agarrar o nosso tempo e passá-lo com as pessoas que são mais próximas do nosso coração. Lembra-te de partilhar os 20 euros do teu tempo com alguém que tu realmente amas.
Se morreres amanhã, a empresa onde trabalhas pode facilmente substituir-te numa questão de horas. Mas a família e os amigos que deixamos para trás vão sentir a nossa perda para o resto das suas vidas.
Bem hajam,

Miguel Ferreira