segunda-feira, novembro 28, 2016

O poder da determinação



A casinha da escola rural era aquecida por um velho forno a carvão. Um garoto tinha a função de ir todos os dias mais cedo para a escola, para acender o fogo e aquecer o recinto antes que a professora e seus colegas chegassem.
Numa certa manhã, quando chegaram e encontraram a escola envolvida em chamas. Retiraram o garoto inconsciente do prédio em chamas, mais morto do que vivo. Tinha queimaduras profundas na parte inferior do corpo e foi levado para o hospital.
Do seu leito, o semiconsciente e pavorosamente queimado garoto ouviu ao longe o médico que conversava com a sua mãe. O médico dizia-lhe que o seu filho seguramente morreria - o que na realidade, até seria melhor - pois o terrível fogo devastara a parte inferior do seu corpo.
Porém o bravo garoto não queria morrer. Ele convenceu-se de que sobreviveria. De alguma maneira, e para surpresa do médico realmente sobreviveu. Quando o risco de morte tinha passado, o garoto ouviu novamente o médico e a sua mãe a falar baixinho. A mãe foi informada de que, como o fogo tinha destruído tantos músculos na parte inferior do seu corpo, quase que teria sido melhor que ele tivesse morrido, já que estava condenado a ser eternamente inválido e a não fazer uso algum dos seus membros inferiores.
Mais uma vez o bravo garoto tomou uma decisão. Não seria inválido. Ele andaria. Mas, infelizmente, da cintura para baixo, ele não tinha nenhuma capacidade motora. As suas pernas finas pendiam inertes, quase sem vida.
Finalmente, teve alta do hospital. Todos os dias a sua mãe lhe massageava as perninhas, mas não tinha sensações, controle, não sentia nada. Ainda assim, a sua determinação de andar era mais forte do que nunca.
Quando não estava na cama, estava confinado a uma cadeira de rodas. Num dia ensolarado, a sua mãe conduziu-o até ao quintal para apanhar um pouco de ar fresco. Neste dia, ao contrário de ficar sentado na cadeira, mandou-se para o chão, arrastou-se pela relva, puxando as pernas atrás de si. Arrastou-se até a cerca de estacas brancas que limitava o terreno. Com grande esforço, levantou-se, apoiando-se na cerca. E então, estaca por estaca começou a arrastar-se ao longo da cerca, decidido a andar. Começou a fazer isso todos os dias formando até um caminho à volta da cerca. Não tinha nada que desejasse mais do que dar vida àquelas pernas.
Finalmente, com as massagens diárias, com a sua persistência de ferro e resoluta determinação, ele foi capaz de ficar em pé, depois de andar mancando, e então, de andar sozinho. Mais tarde, de correr.
Começou a caminhar para a escola, depois passou a correr para a escola, e a correr, pura e simplesmente, pela alegria de correr. Na faculdade, integrou a equipa de corrida com obstáculos.
Depois, no Madison Square Garden (Nova York, EUA), aquele rapaz sem esperanças de sobreviver, que seguramente nunca mais andaria, e que jamais poderia esperar correr -- aquele rapaz determinado, o Dr. Glenn Cunningham, foi o corredor mais rápido do mundo na corrida de uma milha!
Este é sem dúvida, um verdadeiro exemplo de determinação.

Bem hajam,
Miguel Ferreira

segunda-feira, outubro 31, 2016

Terapia do Elogio



Caros, leitores, partilho hoje convosco esta forma de terapia, que todos podemos facilmente praticar e mudar o mundo a nossa volta. É muito simples e pode realmente fazer toda a diferença.
Terapeutas que trabalham com famílias, divulgaram numa recente pesquisa que os membros das famílias estão cada vez mais frios, mais distantes, o carinho é cada vez menos, não se valorizam as qualidades, facilmente se ouvem críticas.
As pessoas estão cada vez mais intolerantes e desgastam-se na valorização dos defeitos dos outros.
A ausência de elogio está cada vez mais presente nas famílias. Não vemos mais os homens a elogiar as suas mulheres ou vice-versa, não vemos os chefes a elogiar o trabalho de seus subordinados, não vemos mais pais e filhos  a elogiar-se; etc.
Só vemos futilidades:  valorizam-se artistas, cantores, jogadores, pessoas que usam a imagem para ganhar dinheiro e que, por consequência, são pessoas que tem a obrigação de cuidar do corpo, do rosto, das aparências.
A ausência de elogio afeta muito as pessoas e as famílias.
Há falta de diálogo nos lares. O orgulho e a agitação da vida impede que as pessoas digam o que sentem. Depois despejam-se essas carências muitas vezes nos consultórios.
Acabam-se casamentos, alguns procurando noutra pessoa o que não conseguem dentro de casa.
Fica pois, aqui o apelo, vamos começar a valorizar as nossas famílias, os nossos amigos, alunos ou subordinados. Vamos elogiar o bom profissional, a boa atitude, a ética, a beleza do parceiro ou parceira, o comportamento dos nossos filhos.
O bom profissional gosta de ser reconhecido, o bom filho fica feliz por ser louvado, o pai e a boa mãe sentem-se bem ao serem amados e amparados.
O amigo quer sentir-se querido.
Vivemos numa sociedade em que cada um precisa do outro; é impossível uma pessoa viver sozinha e sentir-se feliz. Os elogios são forte motivação na vida de cada um.
Quantas pessoas posso fazer hoje feliz elogiando-as de alguma forma?
Começa agora!

Bem hajam e bons elogios.

Miguel Ferreira

quarta-feira, outubro 19, 2016

A demissão da formiga desmotivada


Era uma vez, uma formiga que chegava todos os dias bem cedo ao escritório e trabalhava arduamente. A formiga era produtiva e feliz.


O gerente vespão estranhou a formiga trabalhar sem supervisão. Se ela era produtiva sem supervisão, seria ainda mais se fosse supervisionada. E colocou uma barata, que preparava belíssimos relatórios e tinha muita experiência, como supervisora.
A primeira preocupação da barata foi a de padronizar o horário de entrada e saída da formiga.
Logo, a barata precisou duma secretária para ajudar a preparar os relatórios e contratou também uma aranha para organizar os arquivos e controlar as ligações telefónicas.
O vespão ficou encantado com os relatórios da barata e pediu também gráficos com indicadores e análise das tendências que eram mostradas nas reuniões.
A barata, então, contratou uma mosca, e comprou um computador com impressora a cores.
Logo, a formiga produtiva e feliz, começou a lamentar-se de toda aquela movimentação de papéis e reuniões!
O vespão concluiu que era o momento de criar a função de gestor para a área onde a formiga produtiva e feliz, trabalhava. O cargo foi dado a uma cigarra, que mandou colocar carpete no seu escritório e comprar uma cadeira especial...
A nova gestora cigarra logo precisou dum computador e duma assistente a pulga (a sua assistente na empresa anterior) para ajudá-la a preparar um plano estratégico de melhorias e um controle do orçamento para a área onde trabalhava a formiga, que já não cantarolava mais e a cada dia se aborrecia mais.
A cigarra, então, convenceu o gerente vespão, que era preciso fazer uma análise de sector. Mas, o vespão, ao rever as finanças, deu-se conta de que a unidade na qual a formiga trabalhava já não rendia como antes e contratou a coruja, uma prestigiada consultora, muito famosa, para que fizesse um diagnóstico da situação.
A coruja permaneceu três meses nos escritórios e emitiu um volumoso relatório, com vários volumes que concluía: Há muita gente nesta empresa!
E adivinhem quem o vespão mandou demitir?
A formiga, claro, porque ela andava muito desmotivada e aborrecida.

Bem hajam, Miguel Ferreira

quinta-feira, setembro 01, 2016

Assembleia na Carpintaria



Contam que na carpintaria houve uma vez uma estranha assembleia. Foi uma reunião das ferramentas para acertar as diferenças. O martelo exerceu a presidência, mas os participantes notificaram-lhe que teria que renunciar. A causa? Fazia demasiado barulho e, além do mais, passava o tempo todo golpeando. O martelo aceitou a sua culpa, mas pediu também que fosse expulso o parafuso, dizendo que ele dava muitas voltas para conseguir algo. Diante do ataque, o parafuso concordou, mas por sua vez, pediu a expulsão da lixa. Dizia que ela era muito áspera no tratamento aos demais, entrando sempre em atritos. A lixa acatou, com a condição que fosse expulso o metro, que sempre media os outros segundo a sua medida, como se fora o único perfeito.
Nesse momento entrou o carpinteiro, juntou o material e iniciou o trabalho. Utilizou o metro, a lixa, o martelo e o parafuso. Finalmente, a rústica madeira converteu-se num fino móvel. Quando a carpintaria ficou novamente só, a assembleia reativou a discussão. Foi então que o serrote tomou a palavra e disse: "Senhores, ficou demonstrado que temos defeitos, mas o carpinteiro trabalhou com os nossos pontos valiosos. Assim, não pensemos nos nossos pontos fracos, e concentremo-nos nos nossos pontos fortes".
A assembleia entendeu que o martelo era forte, o parafuso unia e dava força, a lixa era especial para limar e afinar as asperezas, o metro era preciso e exato. Sentiram-se, então, como uma equipe capaz de produzir móveis de qualidade. Sentiram alegria pela oportunidade de trabalhar juntos. Ocorre o mesmo com os seres humanos, basta observar e comprovar. Quando uma pessoa procura defeitos noutra, a situação torna-se tensa e negativa. Ao contrário, quando se procura com sinceridade o ponto forte dos outros, florescem as melhores conquistas.
É fácil encontrar defeitos. Qualquer um pode fazê-lo. Mas encontrar qualidades, isto é para os sábios.