
Numa certa manhã, quando chegaram e encontraram a escola
envolvida em chamas. Retiraram o garoto inconsciente do prédio em chamas, mais
morto do que vivo. Tinha queimaduras profundas na parte inferior do corpo e foi
levado para o hospital.
Do seu leito, o semiconsciente e pavorosamente queimado
garoto ouviu ao longe o médico que conversava com a sua mãe. O médico dizia-lhe
que o seu filho seguramente morreria - o que na realidade, até seria melhor -
pois o terrível fogo devastara a parte inferior do seu corpo.
Porém o bravo garoto não queria morrer. Ele convenceu-se de
que sobreviveria. De alguma maneira, e para surpresa do médico realmente
sobreviveu. Quando o risco de morte tinha passado, o garoto ouviu novamente o
médico e a sua mãe a falar baixinho. A mãe foi informada de que, como o fogo tinha
destruído tantos músculos na parte inferior do seu corpo, quase que teria sido
melhor que ele tivesse morrido, já que estava condenado a ser eternamente
inválido e a não fazer uso algum dos seus membros inferiores.
Mais uma vez o bravo garoto tomou uma decisão. Não seria
inválido. Ele andaria. Mas, infelizmente, da cintura para baixo, ele não tinha
nenhuma capacidade motora. As suas pernas finas pendiam inertes, quase sem
vida.
Finalmente, teve alta do hospital. Todos os dias a sua mãe lhe
massageava as perninhas, mas não tinha sensações, controle, não sentia nada.
Ainda assim, a sua determinação de andar era mais forte do que nunca.
Quando não estava na cama, estava confinado a uma cadeira de
rodas. Num dia ensolarado, a sua mãe conduziu-o até ao quintal para apanhar um
pouco de ar fresco. Neste dia, ao contrário de ficar sentado na cadeira, mandou-se
para o chão, arrastou-se pela relva, puxando as pernas atrás de si. Arrastou-se
até a cerca de estacas brancas que limitava o terreno. Com grande esforço,
levantou-se, apoiando-se na cerca. E então, estaca por estaca começou a
arrastar-se ao longo da cerca, decidido a andar. Começou a fazer isso todos os
dias formando até um caminho à volta da cerca. Não tinha nada que desejasse
mais do que dar vida àquelas pernas.
Finalmente, com as massagens diárias, com a sua persistência
de ferro e resoluta determinação, ele foi capaz de ficar em pé, depois de andar
mancando, e então, de andar sozinho. Mais tarde, de correr.
Começou a caminhar para a escola, depois passou a correr
para a escola, e a correr, pura e simplesmente, pela alegria de correr. Na
faculdade, integrou a equipa de corrida com obstáculos.
Depois, no Madison Square Garden (Nova York, EUA), aquele
rapaz sem esperanças de sobreviver, que seguramente nunca mais andaria, e que
jamais poderia esperar correr -- aquele rapaz determinado, o Dr. Glenn
Cunningham, foi o corredor mais rápido do mundo na corrida de uma milha!
Este é sem dúvida, um verdadeiro exemplo de determinação.
Bem hajam,
Miguel Ferreira