
Tal como referi do último artigo, ainda que não tenhamos necessidade de amor constante, todos de alguma forma procuramos isso mesmo – “Amar e ser amados”. Aqui vos deixo algumas dicas de como aumentar as probabilidades de ser amado.
O que é que se pode fazer racionalmente para conseguir o amor de alguém que estimamos? Em primeiro lugar, aprenda a aceitar-se a si próprio, independentemente do amor que os outros têm por si. Porque é que consideramos irracional fazer depender a aceitação própria do amor ou aprovação dos outros? Se só se consegue aceitar enquanto ser humano com valor intrínseco (estima a si próprio) caso os outros lhe dêem a sua aprovação, está a exigir um certificado de aceitação para se aceitar a si próprio. Como é que alguém pode obter um certificado de aceitação? Ora, este tipo de certificados não existem. Se os exige, está a contribuir para a sua infelicidade; sentir-se-á infeliz não só quando não é aceite (porque tal desta forma, poderá «provar» que você não presta), mas também quando o é; porque, mesmo que seja aceite hoje, vai-se preocupar em continuar a ser aceite dia após dia.
Quando se necessita de amor para aumentar a auto-estima, não só se fica ansioso como também parece comunicar-se a ideia de que: «Só tenho valor quando alguém me ama». Como, possivelmente, em determinados momentos da sua vida ninguém o vai amar, a sua auto-estima vai sofrer um abalo e a sua vida vai parecer uma bola de pingue-pongue, em que se sente bem quando é amado e infeliz quando não o é.
Quando acabar por perceber que o verdadeiro respeito próprio, ou aceitação própria, nunca resulta da aprovação dos outros mas sim da decisão de nos aceitarmos como seres humanos falíveis que não podem ser objecto de uma avaliação única e do facto de lutarmos pelos nossos interesses e valores, independentemente da aprovação dos outros, estará apto a entender que o acto de amar pode constituir uma experiência absorvente, criativa e promotora de crescimento pessoal independentemente de se ser ou não correspondido.
Em segundo lugar, tente conseguir a aprovação dos outros por razões práticas, como o companheirismo, a convivência ou as realizações artísticas ou outras que podem proporcionar prazer a si e aos outros. Você não é amado por si próprio, mas pelas suas qualidades intelectuais ou de carácter, pelas suas características, traços, capacidades ou aparência. Pode ser amado porque é amável e carinhoso ou pela sua força e coragem ou por milhares de outras razões. Quando alguém vê em si a materialização dos seus desejos e aspirações mais profundos está pronto a apaixonar-se. Ser-se amado tem muitas vantagens. Quando se escolhe viver em sociedade, querer aceitação, aprovação e algum carinho da parte dos membros da sua rede social, é adaptativo e saudável. Esta é uma das grandes questões que todos nós necessitamos de resolver, “o desejo humano de amar e ser amado”, mas é importante nunca não o entendermos como uma necessidade absoluta.
Em terceiro lugar, dedique-se mais a amar do que a ser amado, como diz o ditado «amor com amor se paga». Nem sempre é assim, com certeza, mas frequentemente é. Para se viver plenamente, é necessário dedicarmo-nos devotamente, mas sem sacrifício próprio, a outras pessoas, coisas e ideias. A sensação de se estar vivo não resulta da aceitação passiva daquilo que a vida nos oferece, é importante agir, ponderar e conquistar. Constatará que, a partir do momento em que consiga libertar-se da necessidade absoluta de ser amado, estará mais apto a envolver-se noutro tipo de interesses e actividades e irá sentir mais motivado para continuar rumo aos seus outros objectivos, dedicando-se a actividades gratificantes, numa perspectiva de longo prazo.
Não confunda o “ser amado ou aprovado” pelos outros com o seu valor pessoal. Independentemente de quanto os outros o possam amar ou valorizar em benefício próprio, não podem, pelo simples facto de o amarem, «dar-lhe» valor intrínseco como pessoa. Se conseguir realmente aceitar a verdade importante de que não necessita de se classificar a si próprio de nenhuma maneira, deixará de ter a necessidade desesperada da aprovação dos outros, e assim estará apto a beneficiar das vantagens práticas inerentes à aprovação dos outros e não mais a fazer depender absurdamente o seu valor como ser humano do amor ou aprovação dado ou não pelos outros.
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